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3º SUSPEITO

Polícia pede apreensão de adolescente suspeito de participar de planejamento do massacre de escola de Suzano

De acordo com delegado-geral, investigação aponta que a motivação é por reconhecimento de parte da comunidade. 'Queriam demonstrar que podiam agir como em Columbine, com crueldade'.

14 março 2019 - 20h00

O delegado-geral da Polícia Civil, Ruy Ferraz Fontes, afirmou nesta quinta-feira (15) que a polícia pediu à Justiça a apreensão de um adolescente de 17 anos, que teria participado do planejamento do massacre da escola de Suzano nesta quarta-feira (13).

Guilherme Taucci Monteiro, de 17 anos, e Luiz Henrique de Castro, de 25, mataram oito pessoas na Escola Estadual Raul Brasil, na cidade da Grande São Paulo. De acordo com a polícia, o adolescente suspeito de ter participado da elaboração do crime é ex-aluno da escola, e foi colega de classe de Monteiro.

"A terceira pessoa é um adolescente, a apreensão dele já foi sugerida ao juiz da infância e da juventude e o material relacionado com a participação dele já está arrecadado", disse Fontes.

 

Motivação

De acordo com Fontes, a investigação aponta que a motivação do massacre é por reconhecimento da comunidade e para aparecer na mídia: "Esse foi o principal objetivo, não tinha outro", diz delegado.

"Não se sentiam reconhecidos, queriam demonstrar que podiam agir como [o massacre em] Columbine, nos Estados Unidos, com crueldade e com um caráter trágico para que fossem mais reconhecidos do que eles", afirmou o delegado.

Tal informação foi relatada à polícia por testemunhas próximas a Guilherme, que seria o líder da dupla. "Pessoas que estavam próximas dele e obtiveram essa informação diretamente dele".

Estudantes se abraçam após ataque a escola de Suzano — Foto: Maiara Barbosa/G1
Estudantes se abraçam após ataque a escola de Suzano — Foto: Maiara Barbosa/G1

"Estamos aguardando a manifestação da Justiça. Pode ser a qualquer momento", complementa o delegado.

O dono do estacionamento onde a dupla guardou o carro teria informado para a polícia sobre a participação de uma terceira pessoa, informou o delegado.

"Ainda não confirmamos a informação, estamos submetendo a fotografia do adolescente ao responsável pelo estacionamento para confirmar. Temos outros dados que fazem crer que esse indivíduo participou pelo menos da fase de planejamento."

Vítimas de massacre em escola de Suzano são enterradas — Foto: Reuters/Ueslei Marcelino
Vítimas de massacre em escola de Suzano são enterradas — Foto: Reuters/Ueslei Marcelino

Para o delegado, a questão do bullying é pouco representativa, pois foi citada em apenas uma parte da investigação e "não é significativo".

A polícia trabalha com a questão do reconhecimento e vingança na motivação da morte do tio.

O comerciante Jorge Antônio Moraes, de 51 anos, foi baleado antes da entrada dos assassinos na escola e morreu; ele é tio de Guilherme, um dos assassinos. — Foto: Arquivo Pessoal
O comerciante Jorge Antônio Moraes, de 51 anos, foi baleado antes da entrada dos assassinos na escola e morreu; ele é tio de Guilherme, um dos assassinos. — Foto: Arquivo Pessoal

"Na realidade ele estava se sentido não reconhecido pelo tio, apesar de o tio ter contratado ele para trabalhar na empresa, mas ter que demitir posteriormente porque ele estava praticando pequenos furtos", explicou o delegado.

Segundo a polícia, a investigação aponta que eles não pretendiam fazer ataques em outras escolas. "Todo material colhido não demonstra que eles fariam ou tentariam fazer outros ataques em outras escolas", afirmou o delegado.

Fontes também alegou que ainda não há nenhuma relação direta com a "deep web".

"No momento não vamos revelar como era feita a comunicação. O que posso indicar é que a maioria das conversas deles eram pessoais, travaram poucas conversas através da internet. Não tenho nenhuma evidência, até o presente momento, de que eles estivessem consultando a 'deep web', para poder ter material suficiente para executar o que executaram".

Mensagem em fórum na deep web  — Foto: TV Globo/Reprodução
Mensagem em fórum na deep web — Foto: TV Globo/Reprodução

 

Organização criminosa

O Ministério Público (MP) apura se uma organização criminosa na internet está por trás do massacre na Escola Estadual Raul Brasil em Suzano. Outras linhas de investigação também são verificadas.

Um promotor do júri e o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), ambos do Ministério Público, querem saber se Guilherme Taucci Monteiro, de 17 anos, e Luiz Henrique de Castro, de 25, foram incitados ao crime por membros do fórum Dogolachan na "deep web", um segmento da internet que não pode ser encontrado por buscadores como o Google e favorece o surgimento de redes e sites anônimos (entenda o que é "deep web").

O Ministério Público atuará diretamente com ao Polícia Civil, que já investiga o caso e busca saber qual foi a motivação do crime. Se os órgãos apontarem alguém que tenha incitado os assassinos a cometerem o crime, essa pessoa ou grupo de pessoas poderão responder por organização criminosa ou até por participação na chacina.

Informações preliminares da polícia indicam que Guilherme e Luiz premeditaram o crime, planejando ele por mais de um ano, e ainda pretendiam matar mais pessoas do que as 13 vítimas fatais do massacre de Columbine, ocorrido em 1999 nos Estados Unidos.

No massacre de Suzano, os assassinos eram ex-alunos da escola. Um dos mortos era um tio de Guilherme, que foi executado pelo sobrinho. Com informações, G1.

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