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Vacina

Anvisa diz que é viável adequar fábricas de vacinas veterinárias para produção contra covid-19

Brasil conta com 22 plantas de produção de vacinas para animais, disse Antonio Torres

08 abril 2021 - 19h44Por Valor Econômico / Por Rafael Bitencourt, Valor — Brasília

O diretor-presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Antonio Barra Torres, considera “factível” e “exequível” adequar fábricas de vacinas de uso veterinário para produzir imunizantes contra a covid-19. Segundo ele, o Brasil conta com 22 plantas de produção de vacinas para uso em animais.


Durante a audiência pública da Comissão Temporária da Covid-19 do Senado, Torres disse que, apesar da viabilidade da estratégia em estudo, seria necessário fazer investimentos para elevar o nível de segurança biológica. “Não é algo a ser descartado, pelo contrário”, comentou.

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O presidente da Anvisa informou que tratou do assunto com a ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Tereza Cristina. Ele ressaltou que nem todas as fábricas teriam a capacidade de “dominar todos os ciclos” de produção de vacinas contra covid-19 e, por isso, precisariam operar de forma coordenada.

Antonio Barra Torres, diretor-presidente da Anvisa — Foto: Leopoldo Silva/Agência Senado
Antonio Barra Torres, diretor-presidente da Anvisa — Foto: Leopoldo Silva/Agência Senado

Além da adequação de fábricas de vacinas de uso veterinário, Torres também considerou a possibilidade de quebra de patente de imunizantes, o que já foi feito no passado em relação ao medicamento contra a aids. Ele disse que, pessoalmente, do seu ponto de vista como médico, é favorável.

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O presidente do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Saúde Animal (Sindan), Delair Ângelo Bolis, garantiu que a indústria brasileira envolvida na fabricação de produtos farmacêuticos para animais é capaz de adaptar suas estruturas para iniciar a produção de insumos farmacêuticos ativos (IFAs) de vacinas contra a covid-19 no prazo máximo de 90 dias.

“Tudo vai depender dessa conversa, que já está acontecendo [com laboratórios da Fiocruz e Butantan], sobre qual tecnologia e qual processo será utilizado. Basicamente, pode ser fermentação, suspensão ou pode ser cultivo celular, se é produção em ovo ou não. Com base nisso, definem-se quais insumos serão necessários, e o instrumento de adaptação dessas plantas”, afirmou Bolis.

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Na audiência, foi mencionado que o setor iniciará, em maio, campanha de combate à febre aftosa contando com o estoque de 200 milhões de doses já produzidas. “É importante destacar que, no Brasil, no que diz respeito à saúde animal, somos 100% independentes com relação à produção de IFA. O parque fabril montado pelas indústrias farmacêuticas aqui instaladas produz o IFA 100% nacional. Nós não importamos IFA”, destacou Bolis.


O representante do setor frisou ainda que o sistema de logística detido pelo segmento é capaz de entregar os insumos em todo território nacional no prazo de até dez dias.

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“As vacinas de saúde animal hoje no Brasil são transportadas e regulamentadas, algumas delas, inclusive, controladas pelo Ministério da Agricultura. Elas são transportadas refrigeradas ou em nitrogênio líquido”, afirmou o presidente do Sindan.

Pandemia longe do fim
Torres alertou os parlamentares para o risco de piora do atual quadro da pandemia no Brasil, dois dias depois de o país ter rompido a marca de 4.000 mortes de covid-19 registradas em um dia. A média móvel de mortes diárias dos últimos sete dias está em 2.744.

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“O entendimento que temos aqui na agência, e não é um entendimento dos mais felizes, é que essa situação que atravessamos está longe do seu fim. Não há entre nós a convicção de que a fase pior tenha passado. Nós temos tido uma série de sinalizações de possibilidades ainda mais desafiadoras no porvir no curto e no médio prazo”, afirmou.


A declaração do presidente da Anvisa foi dada ao defender que nenhuma estratégia pode ser descartada para reforçar a mobilização de enfrentamento da pandemia.

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“Temos que olhar para um futuro até mesmo mais distante. Já tomamos providências há algum tempo em relação a isso aqui na Anvisa, inclusive com a criação de um grupo de análise estratégica desse quadro, com visão prospectiva, focando nos próximos anos inclusive”, disse.

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