Menu
Busca Sex, 26 de abril de 2019
(67) 9.9928-2002
Pistolagem

Caso Marielle completa uma semana. O que se sabe sobre o crime

22 março 2018 - 11h47

O assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL) e do motorista Anderson Gomes completa uma semana nesta quarta-feira (21). Eles foram mortos a tiros por disparos vindos de um veículo que os seguia. Uma assessora da parlamentar sobreviveu ao ataque. O crime ocorreu no bairro do Estácio, região central do Rio.

Mulher negra, feminista e ativista dos direitos humanos, Marielle havia denunciado abusos em ações policiais dias antes de ser assassinada. Desde a morte da vereadora e de seu motorista, atos e protestos foram realizados em ao menos dez capitais do país e em cidades dos Estados Unidos, Portugal, Chile e Argentina. Entidades nacionais e internacionais denunciaram o Brasil à ONU (Organização das Nações Unidas) para pedir apoio na cobrança por empenho das autoridades brasileiras na solução do crime e na proteção de ativistas políticos.

Entidades nacionais e internacionais denunciaram o Brasil à ONU (Organização das Nações Unidas) para pedir apoio na cobrança por empenho das autoridades brasileiras na solução do crime e na proteção de ativistas políticos.

O crime contra Marielle é um crime contra a democracia. A gente não tem a menor dúvida disso. Então, esse caso tem que ser esclarecido. Isso não significa que a vida dela valha mais do que a de qualquer pessoa, mas é um caso que pode estar colocando várias outras pessoas em risco?

Os suspeitos e as motivações

Não há até o momento informações públicas sobre os autores dos disparos nem sobre a motivação do crime. A principal suspeita é de que houve uma execução em razão das atividades políticas de Marielle, uma ativista da área de direitos humanos que denunciava abusos policiais.

As investigações são conduzidas pela Delegacia de Homicídios, da Polícia Civil. Desde 16 de fevereiro, a segurança pública do Rio está sob intervenção federal, o que deixa as polícias Civil e Militar sob a responsabilidade do interventor, general do Exército Walter Braga Netto.

Na manhã de terça-feira (20), Paulo Henrique Dourado Teixeira (PTB), suplente de um vereador de Magé, região metropolitana do Rio, também foi morto a tiros. A polícia não faz relação com o assassinato de Marielle e Anderson. Familiares de Paulinho P9, como era conhecido, também afirmam se tratar de crime político por causa da atuação dele na cidade.

As linhas de investigação

 Marielle exercia seu primeiro mandato, eleita com 46 mil votos, quinta maior votação registrada para a Câmara Municipal do Rio em 2016. No Legislativo, ela deu continuidade a sua atuação em defesa de direitos da população negra, LGBT e denunciava abusos praticados por policiais em abordagens nas comunidades pobres da capital. Marielle também trabalhava no apoio a familiares de policiais militares mortos. Quatro dias antes do assassinato, a vereadora publicou em suas redes sociais denúncias contra policiais do 41º Batalhão da Polícia Militar ? que concentra o maior número de homicídios registrados em operações policiais.

Marielle também havia sido escolhida como relatora da comissão da Câmara formada para acompanhar os trabalhos da intervenção federal no Rio. A Polícia Civil tem evitado dar detalhes para não comprometer a evolução da investigação.

O Disque Denúncia recebeu 45 denúncias com informações sobre o crime até a manhã desta quarta-feira (21). A pedido do promotor Homero das Neves Freitas Filho, da 23ª Promotoria de Justiça de Investigação Penal, mais cinco promotores vão atuar no caso.

?A investigação está seguindo seu curso normal, tem que ter um pouco de paciência porque é uma investigação muito complexa. A dificuldade é muito grande, poucas câmeras, mas a coisa está andando (...). Tudo leva a crer que foi uma execução, mas o que vai dizer de fato o que aconteceu é o curso normal das investigações?

O que se sabe sobre o caso

O CRIME Marielle participava de um evento na Lapa, na noite de quarta-feira (14). No trajeto para sua casa, um veículo Cobalt, com placas de Nova Iguaçu (Baixada Fluminense), seguiu o carro da vereadora, conduzido por Anderson. Partiram do Cobalt 13 disparos. Quatro atingiram Marielle e três, o motorista. Uma assessora da vereadora, sentada ao lado de Marielle, sobreviveu. Nenhum objeto foi levado, o que reforça a hipótese de execução.

OS AUTORES Os responsáveis pelos disparos são desconhecidos. Amigos e familiares afirmaram que Marielle não relatou ter recebido ameaças. A polícia sabe que os autores ficaram de tocaia, à espera da saída de Marielle do evento na Lapa, como mostraram imagens de câmeras de segurança da região.

DEPOIMENTOS

A assessora que sobreviveu já prestou ao menos dois depoimentos. Em entrevistas, ela afirmou não ter percebido a aproximação do outro veículo. Ela relatou ter sido abordada por um desconhecido dias antes do crime, que perguntou se ela trabalhava para Marielle. Outras pessoas próximas, como familiares, políticos do PSOL e parlamentares com quem a vereadora trabalhou, também já foram ouvidos.

IMAGENS DA CÂMARA

A Polícia Civil busca pistas nos registros de movimentação na Câmara Municipal e por meio do sistema de segurança da Casa. Investigadores tentam descobrir mais detalhes sobre a rotina de Marielle nas semanas anteriores ao crime e informações que possam indicar a motivação do crime.

IMAGENS DA RUA

 Estavam desligadas no momento do crime 5 das 11 câmeras de segurança existentes nas proximidades de onde os disparos ocorreram e no trajeto feito pelo veículo de Marielle, segundo reportagem do portal G1. As imagens existentes indicaram a participação de dois carros, bem como a cor e a marca de pelo menos um deles. Mais imagens poderiam, por exemplo, dizer o número de suspeitos, mas dificilmente ajudariam a identificá-los com precisão, de acordo com relatos de um investigador ao G1.

LIGAÇÕES E MENSAGENS DE CELULAR

Investigadores pediram informações de operadoras de telefonia celular que mantêm antenas na região por onde passou o carro em que Marielle e Anderson estavam. A partir dos relatórios das operadoras, os investigadores vão tentar identificar registros de ligações e de trocas de mensagens. Esses dados não permitirão o acesso ao teor de conversas, mas podem indicar alguma comunicação suspeita (ligações repetidas e de curta duração, por exemplo).

CARROS

Além do Cobalt, a polícia tem a informação de que um segundo veículo participou do assassinato. Investigadores descartaram a hipótese de um carro encontrado em Ubá (MG) ter sido usado no crime. Não há informações se os veículos que aparecem nas imagens flagradas pelas câmeras de segurança foram encontrados.

 MUNIÇÕES

As munições usadas fazem parte de lotes vendidos para a Polícia Federal do Distrito Federal em dezembro de 2006. O ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, chegou a dizer que o lote havia sido roubado anos atrás, mas a informação foi desmentida. As polícias Civil e Federal abriram inquéritos para apurar a origem e informações sobre a munição.

O assassinato no contexto da intervenção federal

As morte de Marielle e Anderson também direcionaram a atenção para o andamento da intervenção federal no Rio, prevista para durar até 31 de dezembro, quando termina o mandato do presidente Michel Temer.

Em reunião com parlamentares do estado, o general Braga Netto afirmou que seriam necessários R$ 3,1 bilhões para Segurança Pública somente para quitar dívidas e pagar salários atrasados. O governo do Rio passa por séria crise financeira e, desde o anúncio da intervenção, o governo federal não havia se pronunciado a respeito de repasse de recursos.

No mesmo dia das informações apresentadas pelo interventor a respeito da situação financeira dos órgãos de segurança, na terça-feira (20), Temer anunciou o envio de R$ 1 bilhão.

 Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, publicada na segunda-feira (19), o interventor afirmou que casos como o de Marielle e Anderson reforçam a importância da intervenção. O comandante do Exército, general Eduardo Villas Boas, em declaração a jornalistas na terça-feira (20), afirmou que a intervenção não vai resolver o problema da violência no Rio, mas que a medida pode deixar um ?legado de uma mudança nas estruturas? dos órgãos de segurança do Estado. Uma das frentes de atuação do interventor é combater a corrupção dentro das polícias Civil e Militar, e melhorar a organização e as condições de trabalho das corporações.

 

Reforma da Previdencia

Deixe seu Comentário

Leia Também

SAÚDE
Repasse da ANS ao SUS atinge recorde de R$ 783 milhões, em 2018
Menininho Bolsonaro, ‘Não se meta’
POLÊMICA
Segundo o GLOBO: Bolsonaro alerta para amputações de pênis no Brasil por falta de água e sabão
CAPITAL
Menina de 5 anos é estuprada pelo marido da avó e pega HPV
INVESTIGAÇÃO
Procon encontra produtos vencidos há quase dois anos em postos de combustível
FAMOSOS
ELIANA ENTREGA QUE SABRINA SATO TIRA MUITO LEITE DURANTE ALMOÇO: "E NÃO MANCHEI A ROUPA"
CASO SUZANO
Imesc entrega laudos dos alunos feridos no ataque à escola de Suzano
4 ANOS APÓS CRIME!
Homem que matou enteada esfaqueada em MS é preso em Goiânia
POLÍTICA
“Brasil não pode ser país do mundo gay, temos famílias”, diz Bolsonaro
FRONTEIRA
Rastros do PCC: celular de agente executado na fronteira será periciado em Assunção