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BRASIL E MUNDO

'Coletes amarelos' se manifestam pelo 10º sábado seguido na França

Protestos acontecem em meio ao debate nacional lançado pelo presidente Emmanuel Macron sobre as exigências do movimento.

19 janeiro 2019 - 13h40

Cerca de 5 mil "coletes amarelos", segundo a polícia, protestaram nas ruas de Paris, pelo 10º sábado consecutivo, contra o governo de Emmanuel Macron, apesar do debate nacional lançado pelo presidente para debater as exigências desse movimento.

Manifestantes se reuniram perto da Champs Elysees, na capital francesa, e houve protestos também nas principais cidades da França. As manifestações foram pacíficas, embora muitas lojas estivessem fechadas em Paris para evitar problemas.

"Macron, renuncie!" alguns dos manifestantes gritaram.

Alguns manifestantes também carregavam caixões para lembrar as mortes de 10 pessoas até agora durante os protestos, principalmente devido a acidentes quando os manifestantes bloquearam estradas.

No último sábado (12), pouco mais de 80 mil pessoas saíram para se manifestar em todo o país. Eram 30 mil a mais do que em 5 de janeiro, mas menos do que os 280 mil que marcharam em 17 de novembro, quando a onda de protesto social começou.

Manifestantes em rua de Paris carregam faixas ligando os coletes amarelos ao filme francês "Azul é a cor mais quente" — Foto: Charles Platiau/Reuters
Manifestantes em rua de Paris carregam faixas ligando os coletes amarelos ao filme francês "Azul é a cor mais quente" — Foto: Charles Platiau/Reuters

Os protestos do "coletes amarelos" - batizados em homenagem às jaquetas fluorescentes que os motoristas franceses devem ter em seus carros - começaram em novembro devido ao aumento dos impostos sobre combustíveis.

Esses impostos foram subsequentemente descartados, mas o movimento se transformou em um protesto anti-Macron mais amplo e contra a política social e fiscal do governo, que considera favorecer os ricos.

As manifestações de dezembro causaram algumas das piores violências registradas em décadas em Paris, quando manifestantes incendiaram carros e danificaram lojas e empresas.

Protestos até agora neste mês não testemunharam o mesmo nível de problemas, embora o vídeo de um ex-campeão de boxe francês socando e chutando a polícia em Paris tenha causado repercussão.

 

Pressão

Em Paris, cerca de 5 mil policiais acompanharam a rota planejada pelos manifestantes, que esperavam reunir 1 milhão de manifestantes para pedir a demissão de Macron.

Durante a semana, Macron pediu um diálogo "sem tabus" ao abrir um grande debate nacional para tentar desativar os protestos.

Manifestantes participam de protesto contra o governo no centro de Paris, neste sábado (19). — Foto: Philippe Lopez/AFP Manifestantes participam de protesto contra o governo no centro de Paris, neste sábado (19). — Foto: Philippe Lopez/AFP

Manifestantes participam de protesto contra o governo no centro de Paris, neste sábado (19). — Foto: Philippe Lopez/AFP

"Este debate está aberto a todos os temas (...) não deve haver tabus", declarou Macron durante um encontro com 600 prefeitos e representantes locais em Grand Bourgtheroulde, um pequeno povoado da Normandia (noroeste).

 

Com este diálogo nacional o presidente tenta arrefecer as manifestações.

O presidente francês, Emmanuel Macron, posa para foto após a gravação de mensagem de Ano Novo, no Palácio Eliseu, em Paris, em 31 de dezembro de 2018 — Foto: Michel Euler/Pool via Reuters
Eliseu, em Paris, em 31 de dezembro de 2018 — Foto: Michel Euler/Pool via Reuters

 

"Acho que podemos converter este momento que a França atravessa em uma oportunidade", considerou o presidente de 41 anos.

Também reiterou o seu pedido para acabar com a "violência" que manchou alguns protestos. "A ira nunca trouxe soluções", apontou.

Coletes amarelos participam da décima semana de protestos em Paris, neste sábado (19). — Foto: Philippe Lopez/AFP

Coletes amarelos participam da décima semana de protestos em Paris, neste sábado (19). — Foto: Philippe Lopez/AFP

 

Diálogo

Esta reunião marcou o início de dois meses de diálogo nacional que será estruturado em torno de quatro grandes temas: o sistema fiscal e a ação pública, o funcionamento do Estado e dos coletivos públicos, a transição ecológica e a democracia.

A tarefa de Macron será árdua para convencer os franceses, muitos dos quais não veem utilidade nesta discussão.

Segundo uma pesquisa Elabe para a emissora BFMTV, divulgada na terça-feira, 40% dos cidadãos querem participar das conversas, mas somente 34% consideram que ajudarão a sair da grave crise política que a França atravessa.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

fonte:g1

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