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FBI, CIA, comerciante e "Raul": as teorias sobre a morte de Luther King

04 abril 2018 - 16h55
Em 4 de abril de 1968, às 18 horas, o pastor, prêmio Nobel da Paz e líder da luta pela igualdade de direitos raciais nos Estados Unidos, Martin Luther King, saía à varanda do quarto de seu hotel em Memphis, no estado americano do Tennessee. Minutos depois, um tiro disparado de fora do hotel acertaria seu rosto deixando Luther King inconsciente. Sua morte foi confirmada uma hora mais tarde, no St. Joseph?s Hospital, dando início a uma caçada de meses por seu assassino e, em seu rastro, deixando um legado de diversas teorias sobre a morte do líder social.

James Earl Ray foi apreendido em julho de 1968 no Reino Unido e deportado para os Estados Unidos como o principal suspeito pelo assassinato. Com base em testemunhas que afirmaram tê-lo visto próximo à cena do crime e de digitais presentes na arma encontrada no local de onde se assume que ocorreu o disparo, Ray foi considerado culpado. Para evitar a pena de morte, ele admitiu ser o assassino, mas, mais tarde, voltou atrás em sua confissão e afirmou até o dia de sua morte que não havia assassinado Luther King. A família do pastor americano diz acreditar na inocência de Ray, e há cinquenta anos diversas teorias defendem a existência de uma conspiração que envolve o governo americano, o FBI, a CIA, a máfia, a polícia de Memphis, um comerciante e uma pessoa misteriosa chamada Raul.

Martin Luther King havia chegado a Memphis no dia anterior a sua morte, para participar de uma marcha em favor de trabalhadores negros da área de saneamento, que pediam por melhores salários e condições de trabalho. Ele se hospedou no quarto 306, no 2º andar do Lorraine Motel, juntamente com Andrew Young, ex-embaixador americano na ONU e prefeito de Atlanta.

Ray contratou um novo advogado que buscou, sem sucesso, provar sua inocência. Ele dizia não ter sido a pessoa que disparou o tiro, embora fosse "parcialmente culpado", mesmo sem saber. As teorias de conspiração em torno do assassinato de Luther King começaram a ganhar fôlego quando Ray apontou um homem chamado "Raul" como o real culpado pelo crime.

Ray teria conhecido Raul em Montreal, no Canadá, um ano antes do crime. Raul o teria orientado a comprar o rifle. Em uma das versões de defesa apresentadas por Ray, o americano afirma que Raul teria disparado o tiro enquanto ele, na verdade, se encontrava em um posto de gasolina.

Ninguém nunca soube quem era Raul e se ele de fato existiu. As descrições que Ray apresentou do homem misterioso variaram com o tempo. A polícia não encontrou impressões digitais diferentes das de Ray na arma e o próprio advogado não conseguiu provar que seu cliente não estava na pensão no momento do crime. O advogado da família King, William Pepper, chegou a procurar por Raul, tendo localizado um trabalhador em Nova York, que negou envolvimento no assassinato e colaborou com as investigações.

O tiro que atingiu King, segundo as investigações do FBI à época, partiram do banheiro de uma pensão localizada do outro lado da rua. Próximo à porta da pensão, a polícia encontrou um rifle 30.06 Remington e um binóculo. As digitais presentes na arma levaram a James Earl Ray, um americano que havia fugido da prisão no ano anterior, deixando um rastro que levou o FBI a buscá-lo em Atlanta, no Canadá e, por fim, no Reino Unido, onde Ray foi encontrado portando documentos canadenses falsos.

Deportado para os Estados Unidos, ele foi considerado, sozinho, culpado pelo assassinato de Martin Luther King. Prestes a ser condenado à morte, Ray fez um acordo com a promotoria, confessando o crime e recebendo uma pena de 99 anos de reclusão em vez da pena capital. Entretanto, dias após receber a sentença, Ray voltou atrás em sua confissão, alegando ter sido coagido por seu então advogado e pelo FBI para poder evitar a pena de morte.

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