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Segundo a Petrobras

Manchas em praias do Nordeste são mistura de óleos venezuelanos, diz relatório da Petrobras

Ao todo, 138 áreas do litoral nordestino foram atingidas por resíduos. Petrobras trabalha com três hipóteses: navio afundado; acidente em passagem de óleo; e despejo criminoso.

10 outubro 2019 - 18h30

Um relatório da Petrobras afirma que as manchas que estão poluindo praias do Brasil são uma mistura de óleos da Venezuela. Nesta quinta-feira (10), subiu para 138 o número de áreas do litoral nordestino com resíduos.

O óleo denso e pegajoso chegou nesta terça ao litoral norte da Bahia, nas praias do Forte, Baixio e Porto de Sauípe.

Em Alagoas, o óleo atinge 15 praias, e duas estão em situação mais grave: Coruripe e Piaçabuçu. Os pescadores nem estão indo para o mar.

O óleo também ameaça os corais. No Rio Grande do Norte, mais uma tartaruga foi encontrada coberta de óleo e morreu no fim da tarde.

Equipes do governo já recolheram 133 toneladas de óleo desde o mês passado no Nordeste.

Mais cedo, nesta terça-feira, o presidente Jair Bolsonaro disse de novo que os investigadores já consideram um país onde o óleo foi extraído. Ele não falou o nome, disse apenas que pode ter sido criminoso.

"Eu não posso acusar um país, vai que não é aquele país. Não quero criar problemas com outros países. É reservado", afirmou o presidente.

"É um volume que não está sendo constante, não é? Se fosse um navio que tivesse afundado, estaria saindo ainda óleo. Parece que [...] criminosamente algo foi despejado lá", acrescentou.

Um laboratório da Petrobras analisou 23 amostras do resíduo recolhido. Os técnicos compararam as moléculas com o material produzido pelo Brasil.

"Cada petróleo teria entre aspas um DNA específico. Então, esse conteúdo de moléculas que está em cada amostra é que me permite diferenciar um petróleo do outro e correlacioná-los, buscar semelhanças ou diferenças. Então a gente, grosseiramente, pode dizer que cada petróleo tem um DNA diferente", afirmou o geólogo Mário Rangel, gerente do laboratório de geo-química da Petrobras.

 

Origem do óleo

A Petrobras concluiu que o óleo não é produzido, comercializado nem transportado pela estatal. Um relatório da Petrobras, encaminhado aos investigadores, afirma que os resíduos encontrados são uma mistura de óleos venezuelanos.

Questionado, o presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, disse que ainda não é possível dizer de onde o óleo veio. Mas disse que há três hipóteses:

  • um navio afundado;
  • um acidente durante a passagem de óleo de um navio para outro;
  • despejo criminoso.

Foi descartado que o óleo tenha brotado de uma fissura no fundo do mar o que seja fruto da limpeza de um tanque de um navio.

"São aproximadamente mais de 500 barris de petróleo, o que indica que não é simplesmente a lavagem de um tanque de um navio. Alguma coisa extraordinária aconteceu", afirmou o presidente da estatal.

"Existe a possibilidade de esse material ser liberado gradualmente", acrescentou.

 

Marinha

A Marinha identificou 140 navios-tanque que passaram por águas brasileiras em frente ao litoral nordestino.

Os navios com cargas compatíveis já foram procurados, e a Marinha avalia caso a caso.

De acordo com investigadores, a hipótese mais provável é de um acidente na transferência de óleo de um navio para outro. Mas o caso é considerado complexo e inédito pela extensão da área atingida e pela duração (mais de um mês).

O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, pediu ajuda ao governo dos Estados Unidos para identificar a origem das manchas.

Para Marcus Silva, professor de oceanografia e especialista em dispersão de contaminantes, a suspeita é que o óleo entrou em contato com o mar perto da costa.

"Muito provavelmente no litoral entre Pernambuco e Paraíba, distante mais ou menos 40 ou 50 quilômetros da costa", afirmou.

"Boa parte deste óleo se deslocou pelo litoral carregado pela corrente sul-equatorial e atingiu o litoral norte do Nordeste, não é? Atingiu o litoral do Rio Grande do Norte, Ceará e Maranhão. E uma parte se dispersou pelo litoral sul, atingindo depois Alagoas, o estado de Sergipe e chegando à Bahia nos últimos dias", acrescentou.

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