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VIOLÊNCIA

Manifesto de atirador cita Brasil e faz referências a nacionalismo

Em linhas gerais, o australiano se posiciona como um nacionalista branco, contra a diversidade racial, apoiador de Trump e do Brexit

15 março 2019 - 18h21

"Um homem comum, 28 anos, nascido na Austrália em uma família de classe trabalhadora e de baixo salário". Assim se definiu o atirador do massacre nas mesquitas em Christchurch, Brenton Tarrant, em um manifesto de 73 páginas escrito em inglês precário, recheado de links da Wikipedia e publicado em uma conta no Twitter atribuída a ele.

No arquivo, intitulado "The Great Replacement" (a grande substituição), Brenton explica os motivos e as influências que o levaram a cometer os ataques desta sexta (15), que deixaram 49 mortos na Nova Zelândia. Há inclusive uma menção ao Brasil no documento.

Em linhas gerais, o australiano se posiciona como um nacionalista branco, contra a diversidade racial, apoiador de Trump e do Brexit -mas não da Frente Nacional francesa- e inspirado, entre outros, pelo atirador da Noruega Anders Breivik, cujos ataques em 2011 vitimaram 77 pessoas. Dois jogos de videogame são referidos.

O Brasil aparece em uma seção intitulada "Diversidade é Fraqueza", no qual Terrant diz que os países "diversos" ao redor do mundo são locais de "conflito social, político, religioso e ético".

"O Brasil, com toda a sua diversidade racial, está completamente fraturado como nação, onde as pessoas não se dão umas com as outras e se separam e se segregam sempre que possível", escreve.

O atirador faz questão de deixar claro que seus pais são de origem escocesa, irlandesa e inglesa, e que "diariamente, nós [os europeus] nos tornamos menos numerosos" em razão de taxas de natalidade decrescente.

A imigração em massa "a convite do Estado" e as "altas taxas de fertilidade dos imigrantes", segundo ele, terminariam por gerar uma "completa substituição racial e cultural dos povos europeus".

Tarrant justifica que houve um período de dois anos que "mudou dramaticamente" sua visão e o incentivou a cometer os ataques. O período compreende o ataque terrorista em Estocolmo, em abril de 2017, quando um imigrante do Usbequistão, Rakhmat Akilov, matou cinco pessoas quando atropelou pedestres com uma van em uma movimentada rua de compras da cidade.

Uma das vítimas foi uma jovem de 11 anos, Ebba Akerlund, citada nominalmente no manifesto. O ataque às mesquitas na Nova Zelândia seria para vingar a perda da vida da garota, "morta nas mãos de invasores".

Tarrant cita também as eleições presidenciais francesas de 2017, das quais saiu vitorioso Emmanuel Macron que, embora não seja nomeado no documento, é referido como "um ex-investidor sem crenças nacionais que não sejam a busca do lucro".

Ele não se identifica com nenhum grupo ou organização, mas afirma que doou (sem especificar o quê) e que interagiu com grupos nacionalistas. Diz ainda que começou a planejar os ataques de maneira geral dois anos antes, e com três meses de antecedência especificamente em Christchurch.

Por fim, cita dois jogos de videogame como grandes influenciadores. "Spyro: Year of the Dragon me ensinou o etno-nacionalismo". No jogo de estética infantil, lançado originalmente em 2000 para o console PlayStation, um dragão roxo deve recolher diamantes e ovos em florestas.

Já Fortnite o "treinou para ser um assassino e para usar o fio dental nos cadáveres dos meus inimigos".

O game, no qual um grupo de jogadores deve procurar armas e atirar uns nos outros, foi lançado em 2017 e teve grande repercussão, atraindo mais de 125 milhões de participantes em um ano. O último sobrevivente é o ganhador. Com informações, Mundo ao Minuto.

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