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Polícia faz nova busca em local onde motorista de aplicativo foi morto: 'Foi um crime passional, agressivo e cruel'

Vários moradores do condomínio em MS foram interrogados e a polícia também colheu imagens, explicou delegado.

23 maio 2019 - 13h00

A Polícia Civil fez nova busca no Jardim Campo Nobre, região sul de Campo Grande, para conversar com mais testemunhas que presenciaram o assassinato do motorista de aplicativo Rafael Baron, de 24 anos. Ao G1 o delegado Ricardo Meirelles, responsável pelas investigações, disse que a diligência, nessa quarta-feira (22), foi mais uma comprovação de que se trata de um crime "passional, agressivo e cruel".

"Nós fomos ao local e ouvimos outras testemunhas. Eu também queria verificar a dinâmica, mais detalhes, embora a perícia já havia sido feita e, com isso, queríamos descartar qualquer outra hipótese para o crime. Como houve muita repercussão e, com isso, surgiram muitas notícias falsas, nós buscamos mais provas e confirmamos que realmente não se trata de um roubo mal sucedido e sim um homicídio qualificado", afirmou o delegado.

Ainda conforme Ricardo, vários moradores do condomínio foram interrogados e a polícia também colheu imagens. "Nós também verificamos o local do acidente e o depoimento das testemunhas oculares vão de encontro com a nossa linha, ressaltando a conduta dele [suspeito] e a forma como tudo foi feito, desde a chamada da corrida. Foi um crime passional, motivado pelo ciúmes que ele tem da esposa, agressivo e cruel", disse.

A investigação ainda aguarda laudos periciais e deve encaminhar, em breve, o inquérito para a Justiça. "Está sendo feita a perícia na arma e a confrontação balística. Foram dois tiros na vítima", comentou Meirelles.

Rafael Baron morreu com dois tiros enquanto trabalhava  — Foto: Redes sociais/Reprodução
Rafael Baron morreu com dois tiros enquanto trabalhava — Foto: Redes sociais/Reprodução

Três dias após o crime, Igor Cesar de Oliveira, de 22 anos, foi preso. Na delegacia, ele disse que a vítima foi "ousado e abusado" com a mulher dele. O delegado comentou que esta foi a primeira versão do suspeito, assim que flagrado em uma casa na região central. Mais tarde, ele também disse que ficou 3 dias escondido em uma região de mata, "andando igual um doido".

"Houve uma primeira conversa informal e ele deu esta versão, falando outras palavras e alegando uma crise de ciúme. Agora, ele será formalmente ouvido no inquérito. Ele estava na residência de um dos advogados e nós fizemos uma negociação para cumprir o mandado de prisão contra ele. A versão de descontrole, no entanto, não justifica o crime bárbaro", explicou na ocasião o delegado.

Já na delegacia, Igor disse que gosta muito da esposa e, por isso, não permitiu que ela fizesse "sacanagens" com ele. Sobre o revólver, de calibre 38, ele disse que adquiriu para "própria segurança", já que teria tido alguns problemas na cadeia.

"Só tinha 2 bala, foi na emoção e eu já disparei. Fiquei cego na hora. Eu peço desculpas para a família, me perdoem de coração, já aconteceu. Eu gosto muito dela [esposa] e ela começou a dar risadinhas e falar de friozinho gostoso", comentou.

Enquanto o suspeito conversava com a imprensa e era formalmente indiciado pelo crime de homicídio qualificado por motivo fútil e impossibilidade de defesa da vítima, centenas de motoristas permaneceram do lado de fora de delegacia. Além de "assassino", eles gritavam palavras como "justiça", "monstro", entre outras.

 

Vítima foi gentil e fez poucas perguntas, afirma polícia

Conforme a polícia, o motorista de aplicativo foi morto por um motivo banal. Na ocasião, ele retornava de um posto de saúde com a esposa do suspeito grávida, quando o crime ocorreu.

"O motorista viu que ela estava com uma tipoia no braço e perguntou o que tinha acontecido, quando ela esclareceu que foi um acidente e ele então perguntou como tinha sido o acidente. Ela respondeu que estava sozinha, que foi de moto. Isso foi suficiente, segundo nossas testemunhas, para que o autor mudasse o semblante dele e passasse a ter outro comportamento", explicou o delegado.

Rafael foi morto assim que chegou no condomínio em que o casal mora. "Enquanto a mulher fazia o pagamento da corrida, o Igor saiu rapidamente do veículo, pulou a janela do apartamento e já retornou com a arma de fogo, acreditamos que seja um revolver calibre 38 e, sem dar nenhum tipo de chance para a vítima, efetuou dois disparos à queima roupa", completou.

 

Entenda o caso

Rafael foi atingido na noite do dia 13 de maio deste ano. Segundo apurado inicialmente pela polícia, o jovem recebeu uma chamada para buscar um passageiro no condomínio e, ao chegar no local, o pedido foi cancelado. Em seguida, ele foi abordado por um homem e morto.

A informação inicial era de que Rafael teria reagido a um assalto e acelerado o carro. Ele foi atingido por um tiro no pescoço, outro no braço esquerdo e bateu o veículo em outros dois automóveis e uma moto que estavam estacionados.

O Corpo de Bombeiros e o Serviço de Atendimento Médico de Urgência (Samu) foram chamados, mas, o jovem morreu no local. O carro dele saiu fumaça na parte do motor e moradores do condomínio tentaram ajudar. Com informações, G1 MS.

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