Menu
Busca Qua, 23 de setembro de 2020
(67) 9.9928-2002
Uniformes

Prefeitura pagará R$ 4,4 milhões por tênis de alunos à empresa com capital de R$ 200 mil

09 abril 2018 - 15h35Por Alcides Bernal
Das sete empresas contratadas para fornecer uniformes para os 103.020 estudantes da Rede Municipal de Ensino neste ano, um caso chama atenção: o da Via Verde Eventos, Comércio e Serviços. Com capital social de R$ 200 mil e tendo como principal atividade econômica a de ?agência de viagem?, a companhia ganhou o contrato de R$ 4,468 milhões para fornecer 104.400 pares de tênis com cadarço aos estudantes.

No total, Marquinhos Trad (PSD) prevê o pagamento de R$ 22,614 milhões pelos uniformes deste ano, que serão entregues com atraso. Em relação a 2016, último ano da gestão de Alcides Bernal (PP), quando houve desembolso de R$ 4,605 milhões, o aumento é de 391%.O maior contrato neste ano foi firmado com a Nilcatex, que foi fornecedora dos uniformes nas gestões de Nelsinho Trad (PTB) e André Puccinelli (MDB). A empresa catarinense ficará com R$ 11,054 milhões, conforme o Portal da Transparência.

O segundo maior valor foi firmado com a Via Vede Eventos, Comércio e Serviços Ltda ? EPP, fundada em 15 de fevereiro de 2006 e de propriedade de Abel Sandro Pereira e Jorge de Barros Veja. O capital social, conforme a Receita Federal, é de R$ 200 mil.

A empresa foi contratada por R$ 4,468 milhões para fornecer tênis para os estudantes do berçário, das creches, pré-escola e das séries iniciais do 1º ao 5º ano. Inicialmente, a prefeitura empenhou R$ 1,856 milhão pela compra de 43.380 calçados. Cada par custará R$ 42,80 ao poder público, o que representa desconto de 21% em relação aos valores previstos no edital da licitação, que variava entre R$ 52,24 a R$ 54,43.Conforme o fisco, a principal atividade da empresa é ?agência de viagem?, que funciona em uma sala na Rua Maracaju, no Centro. No entanto, a empresa exerce diversas atividades, que vão da produção musical, treinamento e desenvolvimento profissional e gerencial, sonorização e iluminação até transferência de vestuário.

Em nota, a secretária municipal de Educação, Elza Ortelhada, defendeu a contratação. ?A Semed informa que no cadastro da empresa Via Verde Eventos, Comércio e Serviços, que consta na Receita Federal, há pelo menos 20 atividades secundárias discriminadas. Entre elas, a de Comércio Varejista de artigos do vestuário e acessórios?, observa.

?No cadastro das atividades econômicas ainda constam ?Fabricação de acessórios do vestuário, exceto para segurança e proteção? e ?Confecção de peças de vestuário, exceto roupas íntimas e confeccionadas sob medida?. Este documento foi apresentado e aprovado na fase de habilitação e licitação?, destaca, negando qualquer irregularidade na contratação.

A contratação da Via Verde repete a história da Reverson Ferraz, contratada a partir da ata da Prefeitura da Estância Turística de Embu das Artes, no ano passado. Quando foi contratada por Marquinhos sem licitação, a empresa tinha capital social de R$ 150 mil, conforme reportagem do Campo Grande News na época.

No entanto, após a contratação, ocorreu o ?milagre da multiplicação?. A empresa elevou o capital social para R$ 1,2 milhão, mudou de cidade, de Cerquilho para Boituva e de nome, de Reverson Ferraz para Revemtex Indústria e Comércio.

E o pior, não deu conta da demanda e só concluiu a entrega dos uniformes em agosto, um mês após o retorno das férias de inverno. Não foi punida nem investigada pelos vereadores, Tribunal de Contas nem Ministério Público.

Agora, a Via Verde repete o início da saga: capital social de R$ 200 mil, funcionando em uma sala e ganha o contrato, via licitação, de R$ 4,468 milhões. O Jacaré não conseguiu contato com os proprietários da empresa.

Em abril do ano passado, a Via Verde foi excluída da licitação dos uniformes escolares promovida pelo Governo estadual. De acordo com o jornal Midiamax, a companhia foi declarada vencedora, mas, três dias depois, a Central de Compras recuou e a desclassificou.

Abel e Jorge informaram que os motivos foram a falta de inscrição estadual e a falta de habilitação para negociar ?uniformes, tecidos e aviamento?. Eles anunciaram que iriam incluir este item no objetivo social e recorrer à Justiça contra a exclusão.

Outra coincidência. A Salute Distribuidora de Alimentos, contratada sem licitação em 2013, para fornecer merenda às escolas e creches também funcionava em uma sala simples e terceirizava a compra dos produtos. Esta contratação foi uma das causas da cassação de Bernal em 12 de março de 2014, na época, em que o legislativo era combativo e fiscalizava os atos do prefeito.

Desta vez, mudou o prefeito e, junto, o espírito combativo dos vereadores. Infelizmente, apesar dos apelos da sociedade na melhor fiscalização do dinheiro público.
RACISMO NÃO!

Deixe seu Comentário

Leia Também

Corrupção
Operação da PF apura desvios no SUS de mais de R$ 2 milhões Ao todo 10 mandados de busca e apreensão foram cumpridos no RS e ES
Brasíl e Mundo
Tóquio exigirá testes de covid-19 para atletas, mas não quarentena
Brasíl e Mundo
Time coloca Bolsonaro entre 100 mais influentes e o responsabiliza por mortos na pandemia e crise ambiental
Saúde
J&J inicia estudo final de vacina contra Covid-19 em 60 mil voluntários
Vacina contra Covid 19
Polícia
"Argumento para lacrar bancas do bicho é ocupação de calçadas sem autorização " disse site de notícias.
Rio de Janeiro
"Vai vendo ... Witzel faltou algumas aulas do prefeito Crivella " disse a fonte
Mundo
Torre Eiffel é esvaziada em Paris Informação é da equipe de imprensa da torre
Brasil
Elias Maluco é encontrado morto dentro de cela
Campo Grande
Mulher é encontrada morta com ferimentos graves dentro do banheiro no fundo de um salão de cabeleireiros
Fronteira
Foram presos contrabandistas, entre eles um dos policiais da Operação Omertà.