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Venezuelano pede emprego na rua em MS: 'Não tenho comida para meu filho mas quero trabalhar para comprar'

Mesmo enfrentando dificuldades no Brasil, a família não quer voltar à Venezuela: "Aqui não vemos as pessoas brigando por um pacote de macarrão".

09 fevereiro 2019 - 10h10

Uma foto tem circulado nas redes sociais de moradores de Campo Grande, desde a última sexta-feira (8). Na imagem, uma homem com um cartaz, pedindo uma oportunidade: "Sou venezuelano, preciso trabalho ou uma ajuda, tenho 2 filhos".

O G1 encontrou o homem, que há 10 meses deixou a Venezuela. Junior Alejando Fersaca, de 23 anos, contou que o Brasil foi a saída para fugir da fome e das dificuldades que o seu país enfrenta.

Desde que chegou ao Brasil, viveu a maior parte do tempo nas ruas, com a esposa de 18 anos e os dois filhos, um com 2 anos e um bebê de 8 meses de idade. Alejandro é pintor e a esposa é faxineira.

Sem saber como seria a vida da família em outro país, o casal vendeu a casa que tinha na Venezuela, juntou todo o dinheiro e seguiu para Roraima (RO), estado que se tornou a porta de entrada de muitos conterrâneos de Junior.

Sem conseguir trabalho, se mudaram para o Amazonas e depois para o Mato Grosso, sempre vivendo nas mesma condições que entraram no Brasil: "Não conseguíamos serviço e ficamos na rua com as 2 crianças, sobrevivemos pela ajuda dos brasileiros" relata Stéfani Gregória Zambrano.

Venezuela e filho de 8 meses em Campo Grande. — Foto: Flávio Dias
Venezuela e filho de 8 meses em Campo Grande. — Foto: Flávio Dias]

Há três dias na capital sul-mato-grossense e sem nada para comer, a família conseguiu uma pequena casa, cedida por um morador. No local, de apenas 2 cômodos, eles dividem a residência com o cubano Michel Arturo, cozinheiro, de 22 anos, que conheceu em Cuiabá (MT) e juntos decidiram mudar para Campo Grande, em busca de uma vida melhor.

Família conseguiu uma pequena casa para recomeçara vida em Campo Grande. — Foto: Flávio Dias
Família conseguiu uma pequena casa para recomeçara vida em Campo Grande. — Foto: Flávio Dias

Na casa, há apenas uma cama com um colchão e uma mala, com poucas peças de roupas, dos 5 imigrantes. O fogão, que foi doado por uma vizinha, não tem botijão e a família se alimenta com pequenas doações que conseguem no sinal de trânsito.

Stéfani conta que com toda a dificuldade, ainda prefere viver no Brasil, pois a situação em seu país é de extrema preocupação.

"A gente tem que trabalhar um mês para conseguir comprar um frango. Arroz, a gente não come e as crianças estão morrendo de fome. Elas [crianças] não usam fraldas e não tomam leite " explica o G1.

De acordo com a jovem, ela já perdeu parte da família por conta da situação econômica do país. Deixar tudo para trás, foi a única saída para não perder o marido e nem os filhos.

"As pessoas se matam por um frango e as vezes a fila demora uma semana para conseguir comprar um arroz. A situação lá está muito feia", lamenta.

O casal explica que o maior sonho é conseguir um trabalho e proporcionar aos filhos uma vida com dignidade, "porque na Venezuela, realmente não dá para ficar". Referente ao Brasil, a família reforça que é um país bastante acolhedor e acredita que terá oportunidades para construir uma nova história. Com informações, G1 MS.

violência contra a mulher

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