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Lembranças

Mesmo com dono sumido do lugar, (Bar do Lula) é parada obrigatória para selfie

02 maio 2018 - 10h37Por Alcides Bernal
Ao passar pela avenida Rui Barbosa, no Distrito de Montese, em Itaporã não há direita ou esquerda na hora da selfie em frente ao Bar do Lula. Em meio aos pouco mais de 3 mil habitantes, o lugar pitoresco é simples, de madeira. Ali se vende o que a fachada promete, mas também há de pão a ração de cachorro. A cor verde chega a aparecer um pouco na estrutura, porém o vermelho da fachada e das cadeiras chega forte para combinar com o apelido que deu nome ao bar.

Aquele Lula da fachada está ali há pelo menos seis anos. Ele é e sempre será apelido do saudoso Juraci Dias Ferreiras, 60 anos, que partiu há 3 meses devido a um derrame.A filha, Juciane Alves Ferreira, 35 anos, revela que o apelido do pai surgiu pela semelhança com o ex-presidente. (Todo mundo chamava ele assim há uns 20 anos. Aí quando nos mudamos para cá, ele comprou o bar e não deu outra. O lugar foi batizado como Lula), lembra.


Nesta época, o lugar era todo verde, mas a primeira coisa que Juraci fez foi colocar na fachada a cor do partido do qual também era simpatizante, o vermelho. (Era motivo de orgulho para ele. E assim como o ex-presidente, meu pai também era petista, herança que passou para toda a família. Se tivesse vivo ainda quando Lula foi preso, Ave Maria, o pai teria ficado triste demais), diz.

A filha conta que a preferência política ou o nome do bar nunca foram empecilho aos negócios, pois o Lula do Mato Grosso do Sul já era considerado figura histórica do pequeno lugar, maior que qualquer entreveiro ideológico (Todo mundo adorava ele. Da direita ou da esquerda, aqui sempre foi parada obrigatória para a cervejinha), afirma.Prova disso, foi o banco da praça que o povoado da cidade batizou escrevendo Bar do Lula depois que Juraci partiu.

O lugar ainda se tornou parada obrigatória para turistas, independente da tendência política. Por isso, a família diz que não há chances das portas se fecharem tão cedo.(Vamos tocar o bar, pois foi o que ele nos deixou com muito carinho), afirma a filha, ao se referir ao trabalho que continua graças a mãe, dois irmãos e cinco netos que Lula deixou.
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