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Pecuária

Inquilino caro nas fazendas, às vezes passa desapercebido

16 janeiro 2020 - 08h00Por Plantão de Noticias

O criador de gado de corte tem um inquilino que custa muito caro ao seu bolso e que, em boa parte das vezes, está devendo o aluguel. No entanto, com a situação bem manejada, esta categoria pode trazer lucro significativo ao pecuarista. São as matrizes do rebanho. Nesta quarta, 15, quem chamou atenção para o tema foi o zootecnista e gerente de fomento de programas de melhoramento genético da ABCZ, a Associação Brasileira de Criadores de Zebu, Ricardo Abreu, que concedeu entrevista ao Giro do Boi.

De acordo com o especialista, falta ao criador brasileiro, de modo geral, conhecer seu rebanho e identificar os indivíduos, estando ciente de seu desempenho em potencial. “Uma das grandes funções nossas lá dentro da parte de fomento da ABCZ é gerar informação em todos os aspectos, seja no melhoramento genético, na produção, no manejo, na gestão da atividade para que o criador conheça o seu rebanho e, através do melhoramento, ele identifique aqueles animais que estão respondendo positivamente ao seu sistema de produção, que ele multiplique esta genética e aqueles animais que não servem, […] que ele também faça o descarte”, apontou.

Conforme explicou Abreu, este processo hoje ocorre de maneira mais comum com os touros, enquanto as matrizes são relegadas a um segundo plano. “Um ponto fundamental é que, para conhecer o seu rebanho, o criador tem que estar voltado principalmente às suas matrizes. Este é o grande desafio, […] porque a matriz é o grande patrimônio dentro do sistema da cria. […] Claro que o impacto de um touro melhorador através da inseminação artificial abrange muito e não tem fronteira. A genética não tem fronteira. Mas a base do melhoramento, a base da cria para fazer o animal melhorador provém da matriz, ela é a grande matéria-prima”, apontou.

Conhecer deficiências do plantel de matrizes é fundamental para escolher o touro certo

“O criador tem que observar e focar nas matrizes, temos que parar de praticar aquela pecuária extrativista, só da quantidade, para focar na qualidade. Se o criador começar a olhar um grupo de fêmeas dentro da estação de monta, […] ele vai ver que em um lote de 80 a 100 fêmeas, algumas emprenham na primeira dose da IATF ou no primeiro repasse na monta natural. E tem outras que comeram do mesmo pasto, beberam da mesma água, lamberam do mesmo sal mineral, estão no mesmo manejo, mas com duas doses de sêmen ou com o touro melhorador de repasse não emprenham. É daí que você já separa aquela que tem eficiência reprodutiva daquela que nem emprenha […], mas pra isso você tem que medir, tem que estar conhecendo a sua fêmea,” indicou o zootecnista.

“Nós temos muitos rebanhos que nem fêmea identificam. Como você vai medir aquilo e você não está identificando? Então vale um puxão de orelha”, advertiu. “Nós temos que acelerar isto e subir a régua. Como a gente vai fazer isto? Descartando a fêmea que está sendo aquela inquilina cara, que não está pagando o aluguel dela no pasto”, aconselhou.

Abreu disse que a realidade de grande parte das fazendas brasileiras, usarndo fêmeas sem avaliação, é responsável pelo peso médio à desmama ficar na casa dos 170 kg, enquanto em programas de seleção como o PMGZ, o foco está em um patamar elevado, buscando desmamar a cria com média de 240 kg. “Tem que descartar. O melhoramento genético só funciona com canivete. Tirando aquilo que não serve, aí a gente vai subir a régua”, recomendou.

O zootecnista estimou existe hoje um volume expressivo de fêmeas a serem descartadas mesmo dentro dos programas de melhoramento genético de gado de corte no Brasil. “Tranquilamente 30% das vacas ativas dentro de todos os programas de melhoramento genético não atendem aos valores genéticos, ou não são equilibradas em todas as características. Então nós temos, de cara, 30% das fêmeas que já podem ser descartadas dentro daquilo que se avalia. […] Imagine aquilo que não se avalia ainda, que são 57 milhões de vacas que têm condição de emprenhar”, indagou.

 

 

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