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Eleições 2022

Com discurso social, Luciano Huck não se compromete com candidatura

Questionado, Huck disse não se arrepender dos movimentos feitos durante as eleições de 2018, mas ponderou que um "tsunami político" atingiu o seu dia a dia

10 setembro 2019 - 12h12

Principal incógnita das eleições de 2022, o apresentador Luciano Huck subiu ao palco de evento realizado pela revista Exame a empresários nesta segunda-feira, 9, com um discurso de palanque, mas sem se comprometer com uma possível candidatura. Em quase 1 hora de um discurso com forte peso social disse por diversas vezes que está fora de sua zona de conforto e que quer "contribuir como for possível" para o País.

"Eu quero ser um cidadão cada vez mais ativo, contribuir como for possível para tornar o País mais eficiente", disse, completando: "Eu poderia continuar sendo um peixinho dourado lá no aquário, protegido pelos muros do Projac, sendo alimentado com fartura, fazer o que faço tranquilo - e gosto. Ou poderia me jogar no oceano e tentar contribuir para que Brasil seja um País melhor".

Se no início Huck foi recebido como celebridade, com a curiosidade da plateia que levantava celulares para fotografar e filmar o ícone famoso, ao final, o apresentador foi aplaudido de pé pelo tom político. Os aplausos, protocolares no início, ganharam corpo ao longo do discurso, sobretudo quando o apresentador tocou em temas sociais. Os primeiros, vieram após Huck dizer que é inevitável investir em uma política de proteção social nos próximos anos para evitar a miséria da geração que hoje está mais velha e ainda é pobre.

Os segundos aplausos vieram quando criticou o prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, que mandou fiscais recolherem revistas em quadrinhos não lacradas que continham dois homens se beijando. "O povo não está preocupado com o desenho do casal que está no gibi da Marvel. As pessoas querem saber como a vida delas pode melhorar", disse.

Questionado, Huck disse não se arrepender dos movimentos feitos durante as eleições de 2018, mas ponderou que um "tsunami político" atingiu o seu dia a dia. Para ele, o movimento de renovação da política "saiu mais forte desse (último) ciclo eleitoral". O apresentador destacou sua participação no RenovaBR e do movimento Agora, que propõem uma renovação política, e disse ter considerado os movimentos civis uma forma "mais inteligente" de contribuir para o País.

Da política econômica a projetos na área de educação e saúde, o apresentador fez uma ampla exposição das suas opiniões. Na área econômica, elogiou as ações tomadas pelo atual governo e o ministro Paulo Guedes. Segundo Huck, Guedes o teria alertado, antes das eleições, dos riscos de se tornar uma figura política.

Na área social, criticou a enorme desigualdade existente no País e a forma como as políticas públicas são desenhadas, sem ouvir a parcela mais pobre. "Não vamos resolver desigualdade com um monte de gente branca e rica sentada na Faria Lima", disse. Também afirmou que é necessário investir mais em educação, apesar de "educação não dar voto". Aos executivos, o apresentador da Globo disse conhecer o Brasil e a pobreza, e destacou ter viajado, com seu programa, da Amazônia à Roraima "dos refugiados".

Huck defendeu a alternância de poderes e afirmou que o País tem vivido "soluços" na política nos últimos anos. Ele evitou citar o presidente Jair Bolsonaro, que fez provocações ao apresentador nas últimas semanas. Lateralmente, afirmou apenas que não convive bem com a polarização. "A construção das minhas ideias é tentando diálogo, conciliação. Não fui treinado no ringue da luta livre, não convivo bem com polarização, não sou o cara do grito, de falar alto. Não considero quem pensa diferente de mim meu inimigo", insinuou.

Apesar de ter dito várias vezes que não tem, com a agenda dos movimentos que faz parte, um projeto "de poder ou eleitoral", Huck lembra o tempo todo o país que tem em mente: "Acredito no sonho de um país maior, mais eficiente e afetivo em relação às pessoas", disse.

 

Desigualdade social

O apresentador evitou se colocar como candidato durante o evento, mas deixou claro que algo precisa ser feito pela elite do País na área social. "Todos aqui (na plateia do evento) somos privilegiados, mas se a gente não fizer nada, este País vai implodir. O abismo social é gigantesco, a desigualdade social é enorme, é inaceitável", disse.

Segundo ele, há uma agenda econômica em andamento que é eficiente e vai melhorar a vida de quem investe e tem recursos, mas, para melhorar a vida do povo "vai dar muito trabalho". De acordo com Huck, é preciso discutir a mobilidade social no País, que "deixou de existir". "Nós precisamos discutir seriamente mobilidade social no Brasil. O Brasil já teve mobilidade social, não tem mais. Se você nascer pobre numa favela, a chance de morrer pobre numa favela é enorme", disse.

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