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CIÊNCIA

Molusco descoberto em caverna de Santa Quitéria ganha nome em homenagem a Moro e Lava Jato

Espécie foi batizada de "Lavajatus moroi", inspirado pela "transparência" da operação Lava Jato

29 janeiro 2019 - 17h40
Um molusco translúcido descoberto no Ceará ganhou nome científico um tanto quanto curioso dado pelo biólogo paulista Luiz Ricardo Simone, do Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo (USP). A espécie coletada nas cavernas de Santa Quitéria, distante 229,2 km de Fortaleza, foi batizada de Lavajatus moroi, em homenagem a Sergio Moro, ministro da Justiça e Segurança Pública.
 
O malacologista, como é conhecido o profissional que estuda os moluscos, publicou a descoberta na revista científica alemã Spixiana, em dezembro último. Luiz Ricardo começou o estudo há dois anos, após revisar o material que estava guardado no Museu de Zoologia da USP. O estudo ficou pronto há cerca de um ano, quando foi enviado à publicação europeia.
 
"Vi que a concha era totalmente transparente. Essa transparência lembra muito a Lava Jato e resolvi homenagear tanto a operação quanto o ex-juiz Sergio Moro, que é quem estava à frente na época", frisa o cientista. Ele explica que muitos materiais coletados ficam depositados no Museu e só depois chegam a ser estudados.
 
O material "grande e vistoso" (de 3 cm a 4 cm), como classifica o cientista, estava preservado com álcool, o que possibilita o estudo da anatomia. Lavajatus moroi é de uma subulinina - subfamília de caramujos terrestres encontrados em áreas tropicais. "Nossa fauna é muito mal conhecida. É quase uma rotina encontrar, em revisões, esse tipo de material que está no museu porque algum biólogo encontrou e resolveu depositar", explica. 
 
Embora não existam expedições recentes para a região de Santa Quitéria, os biólogos calculam que a espécie ainda exista na área. "É um animal relativamente frágil porque só dá na caverna. Chamamos de animal endémico quando a distruição é muito restrita", elabora. "É um animal que precisa ser preservado. Antes ninguém conhecia, mas agora vai entrar na lista de animais ameaçados. Animais muito restritos correm esse grande risco porque a caverna pode inundar, pode ser derrubada, por exemplo, aí a espécie é extinta". 
 
Pós-doutor pelo Museu de Zoologia da USP e pelo Field Museum of Natural History em Chicago, nos Estados Unidos, o malacologista tem experiência com materiais coletados no Ceará. Especialmente de moluscos. Luiz Ricardo esteve no Ceará cerca de uma dúzia de vezes, algumas em projetos junto à Universidade Federal do Ceará (UFC) e também pelo Projeto de Conservação e Utilização Sustentável da Diversidade Biológica Brasileira (Probio). 

 

 

 

 

 

 

fonte:folhadesp/opovoonline

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