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ESPORTE

"Não vejo como machismo", diz bandeirinha cercada por jogadores em Alagoas

05 fevereiro 2019 - 16h55

Uma foto da bandeirinha Raquel Barbosa em uma partida do Campeonato Alagoano ganhou repercussão no último fim de semana. Na imagem, a assistente de 29 anos aparece cercada por vários jogadores do Murici e reage de maneira impassível.

 

 

A cena, registrada na última quinta-feira pela fotógrafa Pei Fon, do portal TNH1, de Maceió, mostra a reclamação dos jogadores do Murici, um time médio de Alagoas, contra a decisão de Raquel de confirmar um gol do CSA. O CSA acabaria vencendo por 2 a 1.

 

A foto rendeu elogios ao autocontrole da bandeirinha, que pertence ao quadro da CBF e também já atuou na Série C do Brasileiro. Interpretada como um retrato do conflito de gêneros no esporte, gerou também críticas aos jogadores envolvidos.

 

Procurada pela reportagem, Raquel disse que a postura dos atletas não teve relação com a questão de gênero. "Foi uma situação de jogo", disse ela. "Não vejo como machismo. Os atletas não foram grosseiros ou abusivos, apenas protestaram com insistência porque acharam que houve falta no lance."

 

Na ocasião, os jogadores do Murici reclamavam de uma falta em lance que originou o gol do CSA. Como a bandeirinha estava mais bem colocada que o árbitro central, virou o alvo principal dos protestos. "Infelizmente, o atleta no Brasil tem esse hábito de protestar insistentemente contra a decisão do árbitro. Não deveriam fazer isso, ainda mais contra uma decisão correta", afirmou a auxiliar.

 

 

Raquel Barbosa, bandeirinha da CBF, reage a cerco de jogadores do Murici no Alagoano

Imagem: Pei Fon/Portal TNH1

 

 

Pela insistência, o goleiro Léo Murici, que aparece encarando a bandeirinha de maneira mais incisiva, acabou levando cartão amarelo. Após a partida, com a repercussão da imagem, o jogador de 29 anos acabou telefonando a Raquel para pedir desculpas "caso tenha ofendido".

"Liguei e pedi desculpa, mas tenho consciência e, ela também, de que não falei nada que ofendesse", afirmou o goleiro ao UOL Esporte. O jogador afirma que precisou gritar com a bandeirinha porque o estádio Rei Pelé estava lotado. "Fomos apenas cobrar o lance porque a jogada nos atrapalhou bastante. Infelizmente a foto que vazou mostra uma situação diferente do que aconteceu. E isso está bastante complicado pra minha vida pessoal."

 

 

O goleiro afirma que vem sendo criticado e até ameaçado em suas redes sociais. "Me deixa triste, mas não vai me abalar. Tenho consciência do que fiz."

 

A repórter fotográfica Pei Fon concorda com a visão de Raquel sobre o lance, embora acredite que o destaque que sua foto recebeu tenha relação com as dificuldadesque as mulheres encontram para se consolidar no futebol, um ambiente dominado por homens.

 

Imagem: Pei Fon/Portal TNH1

 

"Hoje somos quatro mulheres aqui em um universo cheio de homens", afirma ela, que atua há cinco anos como jornalista esportiva. "Até banheiro eu já tive de brigar para usar, porque no estádio não tinha banheiro para mulheres."

 

Em nove anos atuando no futebol, Raquel também viveu situações difíceis relacionadas ao fato de ser mulher. Ela prefere lembrar com bom humor: "Uma vez, em um estádio no interior, a arquibancada ficava tão perto da linha lateral que um torcedor ficava toda hora pegando no meu cabelo, para tentar me desconcentrar. Hoje é até engraçado pensar nisso", ela lembra.

 

"O futebol ainda tem predominância masculina", afirma a bandeirinha. "As mulheres estão chegando aos poucos a alguns locais de trabalho. Sou defensora das mulheres e defendo o profissionalismo. Quando você é um profissional ético e tem competência pra fazer o que tem que fazer, você vai se consolidar. Não pode ter vitimização em relação a ser mulher.”

 

 

 

 

 

 

 

 

Informações Site Uol

 
 
violência contra a mulher

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