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REFLEXÃO

1964 ou Marighella - Censura É Censura. Quero o poder para censurar

04 abril 2019 - 17h05

Esse povo é estranho em suas posições, nunca definem o que é censura deles e dos outros. Depende, parece de quem tem a caneta na mão. Um dos grandes estadistas do Brasil tem sua história manchada pela Censura que impôs; Getúlio Vargas e o Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP). Foi presidente eleito, Ditador, prendeu e expurgou os grandes da história do país, ainda que ele tenha sido um dos grandes.

Alguns generais, almirantes, brigadeiros, civis e que tais de plantão em nossa Democracia que não houve na velha ou nova república, exerceram o poder de censura desmesuradamente.

Mais recentemente, pretenderam censurar Monteiro Lobato na base ideológica do “politicamente correto”, buscaram “corrigir” a letra do “Atirei o Pau no Gato” sem entender que política, no Brasil, não pode e não poderia ser considerada “correta” com nosso passado, e com a atual situação na qual vivíamos. “Política ‘Moralmente’ correta”; nem pensaram em estabelecer quando prometeram tanto e roubaram mais. É patético, seria risível, se não fosse sério.

Mas, deixando de lado essa malcheirosa política, vamos nos ater à odionda Censura.

Exibir um documentário como o “1964 – O Brasil entre armas e livros”, é queimar livros e proibir o Livre Pensar como fizeram os mais conhecidos regimes autoritários. Se  permitiram um filme sobre Marighella, por que não permitir, ou me permitir, ou permitir a quem quer que seja de buscar ouvir, ver, intuir o outro lado de uma mesma história. Não gosta de brincar, não desce pro play.

No Site adorocinema.com, um bom texto diz: “Devido à ditadura militar, muito sobre os bastidores da época foi mantido em sigilo ou, no máximo, pouco divulgado. Natural, afinal de contas o país vivia um período onde a censura atuava com rigor, impedindo a publicação livre de notícias e opiniões. Nos últimos anos, o cinema brasileiro tem recuperado um pouco desta história, seja devido à vivência dos diretores mais antigos ou pelo próprio interesse da nova geração. Não há, por enquanto, um único filme que aborde a ditadura militar como um todo...”

 

O tiro saiu pela culatra

A Censura é inconcebível. Se não gosto, não assisto. Impedido pela rede Cinemark, o filme viralizou nas redes sociais, alcançando mais de 1 milhão e 300 mil acessos. Ruim foi um dos disseminadores estar e usar o Palácio do Planalto para isso. Inconcebível. Quem divulgou, empresário  paulista, assumiu, sem culpa, sem medo.

Todo o resto de discutir se a obra é “politicamente correta, ou incorreta” é apenas hipocrisia. Tudo é válido quando EU detenho o poder, Tudo é válido quando concebo uma autoridade suprema a mim não atribuída. Nada é válido quando, por meio da Censura, impeço a discussão de ideias e ideais.

Também não dá pra reclamar quando se coloca o Velez como ministro da Educação, isso não. Ou se acaba com a Censura e a disseminação da idiotice, ou fechamos tudo isso e transformamos numa grande indústria de mão de obra sem nexo, sem senso de ridículo. Institucionalizar a censura é remeter a Copérnico, acaso os seres humanos não progredissem, ainda teríamos como verdade que a Terra é o centro do Universo. Galileu Galilei foi quase condenado à fogueira por defender o heliocentrismo, a mesma sorte não teve o cientista italiano Giordano Bruno que foi julgado e condenado a morte. Mas, afinal, para quem tem a ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, Damares Alves, sabe-se lá.

A ministra se apresenta como uma “advogada mestre e em educação”, e  completa dizendo ser especializada em “direito constitucional e direito em família”, no entanto admite não ter formação acadêmica, mas utilizou uma comparação bíblica em sua defesa: “Diferentemente do mestre secular, que precisa ir a uma universidade para fazer mestrado, nas igrejas cristãs é chamado mestre todo aquele que é dedicado ao ensino bíblico”.

Ou a coisa mudou nossa visão e posição de mundo a partir do rancor perpetrado pelo passado, mais distante ou mais recente. Esquerda – Direita, Volver! Duas polarizações que se confrontam em forças proporcionais e contrárias impedindo o avanço, até para as laterais. Livrem-nos das Censuras.

 

A Constituição brasileira define a liberdade de expressão como um direito fundamental, uma cláusula pétrea. Além disso, proíbe qualquer forma de censura prévia. Nenhum direito, no entanto, é absoluto. Ofensas à honra, à dignidade e à privacidade podem ser coibidas na forma da lei. Esse é o arcabouço básico que rege a comunicação no Brasil e nas sociedades minimamente civilizadas.

 

Jornalista Dirceu Martins.

RACISMO NÃO!

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