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POLÍTICA

A traição e a volta por cima de Alcides Bernal

19 junho 2019 - 20h10
“Não crie asas se não sabe voar.” Nenhum dos políticos, tenham quanto tempo tenham de filiação suportou as agruras enfrentadas pelo – agora quase licenciado presidente regional do Partido Progressista (ou Progressistas – ex-PP) – Alcides Bernal. Ainda que se discorde de suas atitudes, seu jeito político, seu próprio pessoal, é inegável que pegou uma agremiação que beirava o nada e o transformou num Partido Político efetivo.
 
Foi procurado por tantas pessoas de pouca projeção política e os acolheu sob a promessa de cumprirem, caso eleitos, o estatuto do partido. Enquanto membros do PP regionais, ou até a nível nacional, se envolviam em escândalos políticos, mesmo assim o partido se fortaleceu e estabeleceu a nível estadual aqui em Mato Grosso do Sul. E tudo pode se fazer e dizer de seus membros eleitos, mas muito pouco, ou nada se tem de escândalos. Sejam os vereadores (quem esteve envolvido no escândalo da cassação foi desligado do partido e hoje voltou a ser um nada ) e ainda conquistou muito nos municípios do interior do estado, além de duas cadeiras na Assembleia Legislativa.
 
Havia um nome e uma determinação teimosa para essa ascensão. E tamanha era a determinação de acreditar numa classe e forma de fazer política desacreditada, que tantos se uniram para evitar uma nova maneira de agir politicamente, de forma límpida, eficaz e transparente. Uma coisa política nova que buscava a transparência, essa coisa inimaginável para quem fez da política uma profissão rentável, bem paga, de mordomias e supostos poderes.
 
Antes e ainda das operações judiciais da Lava Jato, e no rastro do Mensalão, a população de Campo Grande começava a acreditar que poderia e seria ouvida, atendida. Parece que havia acabado o período do “rouba, mas faz” e partiria para o “apesar de não roubar, faz”.
 
Bernal foi eleito. O “suposto” mensalinho (que oficialmente nunca existiu) da Câmara acabou. Então começou o combate capitaneado “supostamente” por André Puccinelli, Nelsinho Trad, Edil Albuquerque, seu parceiro e então presidente da Câmara, Mario César e seus coisos, além de empresários que hoje cumprem prisões ou delações.
 
Desses políticos, diversos estão presos, outros sob investigação. Bernal foi substituído pelo vice, Gilmar Olarte, que aprofundou a queda da Capital em termos de gestão de finanças. Mas, respaldado por “quens?”.
 
“Aparentemente” por um conluio de quem tem forte ascendência sobre o Judiciário Estadual, que faz desaparecer CDs de denúncias de dentro das instâncias mais altas da Justiça e que manteve viva a equipe de empresários, e de tradicionais famílias deste Velho Centro-Oeste.
 
Chegou o momento em que não mais se poderia tapar esse Sol de verão com a peneira, então, entre idas e vindas a Justiça estadual houve por bem retirar aquele boneco manipulado e retornar às mãos do efetivamente eleito, a Capital falida. Sem condições de investir, com o tripé básico de educação, saúde e infraestrutura totalmente quebrados, sem dinheiro (em setembro) para cumprir as obrigações do pagamento do 13º salário, ainda assim o prefeito eleito assumiu.
 
Resolver as questões cria inimizades, invejas e intrigas. Resolver os problemas implica em demonstrar a incapacidade dos administradores anteriores. Mas num revez da história ao invés de “se não puder derrotá-los, junte-se a eles”, tudo e todos foram na direção do “exterminar” essa administração.
 
A cada uma das ações que eram bem-sucedidas, saúde por exemplo, utilizava-se a força do poder junto à mídia. Em cada percurso para resolver problemas criados anteriormente, como os buracos do asfalto pelo total desleixo e má administração do período anterior, utilizava-se a mídia, ao atraso na entrega de kits escolares que era responsabilidade das licitações mal formuladas, utilizava-se a mídia e todas as outras forças instituídas e constituídas para atribuir àquele pequeno espaço de tempo de um segundo mandato de governo erros e descalabros.
 
E a Justiça, atendo-se exclusivamente à fria escrita da Lei, ao mesmo tempo que determinou o cumprimento do que disseram as urnas, impedindo a falência de uma Capital, entregou a administração de Campo Grande para quem poderia “tentar” salvá-la da miserabilização. Assim foi feito, e resolvido. A Justiça, para o entendimento da população, “É Justiça”. Mas uma outra “justiça” que não se manifestou quando a gestão de Alcides Bernal assumiu uma Capital falida, o TRE, entendeu que ele estaria inelegível após a malfadada ação do legislativo.
 
Então, ainda que lhe tenha permitido o TJMS reassumir o governo da Capital, foi impedido de assumir o cargo para o qual foi legitimamente eleito, deputado federal. Estranhas condições das Justiças brasileiras. Uma Justiça que por baixo da venda em seus olhos que deveria significar a Justiça Plena, mantêm seus olhos vesgos enviando ao cérebro mensagens de um único foco. A Justiça parece cega e com sua balança com um único peso, mas por estar cega e vesga, não impede que um dos lados investigados jogue no prato da balança que lhe convém pepitas de ouro ou moedas para que, enfim, tendam para um lado, ou outro.
 
 
Então, o desacreditar
 
A população desacredita dos políticos, sempre foi assim, pois que eles nunca acreditam nas falcatruas, falsidades e falácias dos legisladores e executivos, mas podem mudar sempre, como têm mudado; o pior é quando desacreditam, também, na justiça, que se apequena e se mostra em compadrio e companheirismo.
 
A atual legislatura, ou seja, esses vereadores, reforçam essa descrença. Para uma administração ridícula, inoperante, sem força moral, resta a força política de uma Câmara desacreditada. Quantos efetivamente serão reeleitos? Provavelmente retornem aqueles que já fizeram parte da combalida Câmara Municipal, nomes que ressoam nas mentes. Afinal, por que trocar? Vamos manter os antigos nomes, que falseavam ações mas mantinham jornais, revistas, sites, sob seu comando, porque mantinham um certo poder sobre o executivo. “Faz de conta que aprovo e você faz de conta que faz”.
 
Afinal, como disse um determinado vereador de grande estatura física e mínimo em estatura moral, “Vereador gosta de Vereador”. Agora, um líder sem liderança em termos legislativos, porque seu “chefe” manda e desmanda na Câmara – qualquer um serviria para esse posto, sem comando, sem nada – e, será certamente reeleito, na base de mendigar adesões com as alterações impostas pelas novas leis eleitorais; e quais serão os candidatos mendigos? Aqueles que buscam desestruturar tudo, apenas para manter suas posições.
 
Será que terão cacife? Os coisos conseguirão, certos por vezes, errados por outras, manter uma agremiação política? A democracia é o piordos regimes políticosmas não há nenhum sistema melhor que ela. (Winston Churchill). Se tantos tentaram e usaram o Partido que buscam desmembrar, se tantos usam e usurpam dos partidos que lhes dão guarida, como confiar em traidores?
 
Ou se extermina o partido por meio daqueles que não lhes puderam dar sustentação durante tantos anos; ou se extermina o partido por aqueles que usaram dele para se elevarem aos cargos que ocupam, e muito em função de quem, efetivamente, tem representatividade, ou serão meros números, aquela soma de votos para auxiliar e eleger quem conhece esse caminho entre a lama da política que consegue manter essa coisa política e judiciária que a população vota, como gado, mas sequer acredita.
 
 
A volta por cima
 
Na verdade a volta por cima será a doação incondicional, a entrega do partido para aqueles que têm capacidade de administrá-lo. Então, ai sim, será separado o joio do trigo, aqueles que esperneiam daqueles que trabalham; dos que pretendem holofotes e daqueles que constroem. É esperar para ver.
 
 
 
Jornalista Dirceu Martins.

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