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Bombeiros acreditam ter alcançado o refeitório da Vale durante buscas

Perto dos corpos, havia mesas e cadeiras que, segundo fotos do refeitório, pertencem ao local

28 janeiro 2019 - 21h58

Nesta segunda (28), os bombeiros acreditam ter alcançado o refeitório da Vale, onde estavam muitos funcionários no momento do rompimento da barragem na sexta (25), em Brumadinho (MG).

O local foi um dos pontos de concentração de buscas. "Retiramos algumas vítimas que parecem ser pessoas que estavam no refeitório", disse o tenente Pedro Aihara, porta-voz dos Bombeiros.

Perto dos corpos, havia mesas e cadeiras que, segundo fotos do refeitório, pertencem ao local.

Os corpos, porém, foram retirados a 800 metros do lugar onde ficava o refeitório originalmente. Os bombeiros já trabalhavam com a possibilidade de que a lama tivesse empurrado a estrutura para longe.

Além do refeitório, os bombeiros trabalharam no resgate de corpos em um ônibus, mas só conseguiram retirar duas vítimas. Segundo Aihara, há dificuldade no acesso devido à quantidade de lama e troncos.

Os militares israelenses participaram das buscas no ônibus, que tiveram início às 4h e irão até as 22h, já que a falta de luminosidade impede que o trabalho continue.

Na terça (29), os trabalhos novamente se iniciam às 4h. Aihara informou ainda que o número de mortos deve aumentar pela manhã, pois os bombeiros ainda resgatam corpos localizados nesta segunda.

O porta-voz também disse que, nesta segunda, o trabalho dos bombeiros foi "muito prejudicado" por informações falsas de que havia pessoas vivas nas áreas de mata.

Os bombeiros receberam inclusive coordenadas de onde estariam essas pessoas perdidas, pois seus celulares estariam emitindo sinais.

"Imediatamente paramos nosso serviço e deslocamos equipes para lá, e nada foi constatado. Essa situação ocorreu por mais de três vezes", disse Aihara.

O tenente explicou que as buscas nas matas foram mais intensas no primeiro e no segundo dia, já que depois disso é menor a chance de encontrar sobreviventes.

"Algumas pessoas, às vezes pela própria situação de desespero, acreditam que os parentes possam ter corrido para essas áreas, mas infelizmente a gente já mandou mais de três equipes somente no dia de hoje e verificou que essa situação não era verdadeira."

O porta-voz fez um alerta de que o fato de que celulares emitam sinais ou que ainda toquem não significa que a pessoa esteja viva, pois o celular pode ter sido lançado para longe da vítima.

Ele relatou ainda um caso de uma pessoa que se embrenhou na lama para fazer buscas por conta própria e se machucou no rosto. Um helicóptero dos bombeiros que resgatava corpos foi mobilizado para atender essa pessoa.

"Por mais que as intenções sejam as melhores, alertamos para que as pessoas não se aventurem em relação a tentar fazer qualquer tipo de busca sozinho. [...] Continua sendo um terreno instável, a gente continua tendo perigo nessas buscas."

Segundo Aihara, as buscas estão se tornando mais fáceis porque os bombeiros já dominam o local e porque a lama está secando. Sem a camada de água que escorria por cima da lama, fica mais fácil visualizar corpos.

Também está sendo efetivo o uso de cães farejadores, que ajudam a localizar corpos. Os animais começaram a ser treinados há cerca de cinco anos.

"Esperamos que nos próximos dias, a gente consiga identificar e localizar um número maior de corpos", disse. Com informações da Folhapress.

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