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Golpe

Da cadeia, acusado pela PF de aplicar golpe em 25 mil cobra R$ 1,6 milhão de deputado

19 abril 2018 - 10h23Por Alcides Bernal
Preso desde novembro do ano passado na Operação Ouro de Ofir, o empresário Celso Éder Gonzaga de Araújo, 33 anos, ingressou com ação na Justiça para cobrar R$ 1,664 milhão do deputado estadual Maurício Picarelli (PSDB). Ele é acusado de emitir quatro cheques sem fundo em 2016.

Araújo é acusado de chefiar uma organização criminosa que aplicou o golpe do século ao usar o nome de Deus para vender o sonho de ficar milionário e fazer 25 mil vítimas no Brasil. O suposto esquema criminoso foi desvendado em novembro pela Polícia Federal. Desde então, Celso Éder tenta sair da prisão, mas os pedidos já foram negados por todas as instâncias do Poder Judiciário, da Vara Criminal na Capital até o Supremo Tribunal Federal.Dono da Company Consultoria Empresarial, que era apresentada como exemplo de empreendedorismo de sucesso, e cônsul de Guiné-Bissau, ele manteve negócios com Picarelli, que ainda era apresentador de televisão.

Conforme a ação monitória de cobrança, o parlamentar emitiu quatro cheques em 2016, sendo três em junho, com valores oscilando entre R$ 5,5 mil e R$ 25,1 mil, e um em outubro no valor de R$ 1,320 milhão. Só que os cheques não tinham fundos na data acordada para o depósito.mo hábil político, o deputado prometeu quitar a dívida posteriormente e acabou não cumprindo a promessa.

Celso Éder entrou no radar da Polícia Federal, que ouviu a queixa de milhares de pessoas, que chegaram a vender tudo para realizar o sonho de ganhar muito dinheiro e viram o sonho virar pó. Como o grupo usa a fé para atrair as vítimas, teve gente que considerou um milagre ter caído no golpe.

Preso e com os bens bloqueados, o empresário contratou o advogado Luiz Carlos Santini, desembargador aposentado e ex-presidente do Tribunal de Justiça, para acionar o parlamentar na Justiça  e cobrar a quitação dos cheques, inclusive com correção monetária. Não é a primeira vez que Picarelli surge por realizar negócios com pessoas "polêmicas". Em julho do ano passado, a Polícia Civil encontrou um cheque de R$ 50 mil do tucano na casa do engenheiro agrônomo Sebastião Mauro Fenerich, 69 anos, que foi assassinado e teve o corpo carbonizado.

Na ocasião, a Polícia Civil suspeitou que a vítima era agiota. Picarelli confirmou a emissão do cheque em 2014, quando foi reeleito, mas não informou que tipo de negócios mantinha com o engenheiro.

A situação não anda fácil para Maurício Picarelli, que em março deste ano, virou réu por improbidade administrativa. A Justiça aceitou a denúncia feita pelo promotor Marcos Alex Vera de Oliveira.

Pela legislação brasileira, Picarelli não poderia ser diretor executivo da TV Interativa (Band MS) devido ao cargo eletivo.
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