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Agronegócio

Exportações brasileiras de carne bovina bateram recorde: 1,64 milhão de toneladas (11% a mais que em 2017)

O setor de despojos movimentou em 2018 cerca de US$ 400 milhões com 150 mil toneladas exportadas.

24 janeiro 2019 - 07h30

O Brasil é um dos maiores exportadores do mundo e a Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo) aponta que 95% da exportação de "despojos não comestíveis de bovinos" vai para Hong Kong. Além de exportar produtos commo pênis, tendões e artérias, o país é produtor de farinha feita de penas, sangue e ossos, usada para fabricação de ração de animais.

Segundo destaca a reportagem do UOL, no ano passado, as exportações brasileiras de carne bovina bateram recorde: 1,64 milhão de toneladas (11% a mais que em 2017). O setor de despojos movimentou em 2018 cerca de US$ 400 milhões com 150 mil toneladas exportadas.

No entanto, é curioso pensar que em Hong Kong come-se pênis de boi como iguaria. "Do boi, tudo se aproveita. Mas existem certos subprodutos que não têm consumo doméstico no Brasil, por força de cultura de não consumi-los. Mas os chineses comem e apreciam", afirmou Péricles Salazar, 70, presidente da Abrafrigo, que representa os exportadores deste tipo de produto.

"Os chineses colocaram tudo dentro da panela junto com os temperos e caldos, e aquilo vira uma espécie de sopão", disse Salazar.

Além disso, farinhas de origem animal, que são feitas de partes não comestíveis do abate, como penas, ossos, sangue e vísceras, também são exportadas e usadas na fabricação de rações para pets e outros animais, como aves, suínos, peixes e crustáceos.

A Associação Brasileira de Reciclagem Animal (Abra) indica que o setor exportou 180,7 mil toneladas de farinhas de origem animal e movimentou US$ 92,8 milhões no mercado internacional em 2018. A previsão é um crescimento de 25% nas exportações neste ano. Os principais mercados são Chile (31,9%) e Vietnã (21,6%).

Até o final da década de 1990, esses subprodutos do boi eram descartados ou transformados em farinha para alimentar os animais, lembrou o presidente da Abrafrigo. "Algumas empresas surgiram e começaram a aproveitar esses despojos. O feeling do produtor brasileiro descobriu esse nicho do mercado", afirmou.

Desde 2004 o comércio internacional dos despojos começou a ser regulamentado pelo Ministério da Agricultura. "A exportação também resolveu um problema sanitário e ambiental porque estes despojos antigamente poderiam ser descartados no meio ambiente ou incinerados por pequenos frigoríficos já que não existia mercado", declarou em entrevista ao UOL.

 

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