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Brasil

Mourão aposta que governo comprará vacina chinesa: “Lógico que vai”

O vice-presidente, que já esteve às turras com Bolsonaro, defende preservação da Amazônia e admite que pode concorrer a uma vaga no Senado em 2022

30 outubro 2020 - 14h40Por Veja

Aos 67 anos, Hamilton Mourão chega aos estertores do segundo ano de governo cada vez mais à vontade no papel de coadjuvante mais importante da República. Se lhe falta o poder da caneta do chefe, o general se agarra ao que Jair Bolsonaro não tem: a liberdade de ir e vir — com direito a chope no boteco e partidas de vôlei no fim de semana —, tempo para escrever um livro e até a tranquilidade de pensar em uma vida fora do Palácio. Assessores de Jair Bolsonaro já espalharaaos quatro cantos que o presidente não quer mais o general como companheiro de chapa na disputa pela reeleição. Ele garante que nunca ouviu isso do presidente, com quem diz manter uma relação absolutamente respeitosa, mas que já esteve estremecida em decorrência de intrigas e fofocas difundidas por pessoas que cercam o mandatário. Em entrevista a VEJA concedida no seu gabinete, ele evita falar de 2022, mas já trata como possibilidade uma candidatura ao Senado, caso seja varrido da chapa presidencial. Mourão também se recusa a endossar a torcida bolsonarista para Donald Trump, aposta que o governo federal vai comprar a vacina chinesa e diz que faz de tudo para não travar embates públicos com quem manda. “Sabe por quê? Eu tenho vida.”

O senhor já conversou com o presidente sobre as acusações de ter conspirado contra ele? Eu preferi adotar a linha de ação de deixar o assunto rolar. O tempo é o senhor da razão. Pouco a pouco, esses ataques diminuíram, cessaram e o barco seguiu. Nunca fui encarar o presidente para apontar que fulano disse isso ou aquilo e questio­ná-lo por não ter rebatido. Ele já tem tanto problema, não posso levar mais.

E incomoda o senhor quando ele rebate publicamente? Não me incomoda. Sabe por quê? Eu tenho vida, cara. Você não entendeu: eu tenho vida.

O que isso significa? Eu não estou preso nisso aqui. Infelizmente, o presidente Bolsonaro está preso. Ele não tem liberdade de ação e sofre para caramba com isso. São poucos os momentos que ele tem de liberdade. Já eu acordo às 5 horas, leio um pouco, faço o meu alongamento e meu exercício. Tomo meu café, vejo as notícias do dia. Fico pau da vida com alguém que fala algumas bobagens, isso é normal. Aí chega sexta-fei­ra à noite, pego minha mulher, vamos comer alguma coisa e tomar um uísque. Sábado tem o voleibol, depois a gente vai para o boteco e fica jogando conversa fora. Domingo saímos para almoçar ou vou à casa do meu filho para um churrasco.