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Vaza Jato: Moro autorizou operação contra filha de investigado para pressioná-lo

Não havia provas firmes contra filha MPF usou manobra pra prender o pai

11 setembro 2019 - 14h14Por Poder 360


Você está em: Lava Jato

Vaza Jato: Moro autorizou operação contra filha de investigado para pressioná-lo

Não havia provas firmes contra filha

MPF usou manobra pra prender o pai

Segundo mensagens da Vaza Jato, Moro aceitou pedido do MPF para pressionar investigadoSérgio Lima/Poder360 - 19.jun.2019

PODER360
11.set.2019 (quarta-feira) - 12h37

O site The Intercept divulgou nesta 4ª feira (11.set.2019) mais uma conversa de integrantes da força-tarefa da Lava Jato, no caso que ficou conhecido como Vaza Jato. A reportagem teve acesso a diálogos dos procuradores do MPF (Ministério Público Federal) e do então juiz Sergio Moro que mostram que este teria autorizado uma operação contra a filha de 1 investigado para pressioná-lo e prendê-lo.

O investigado era o empresário Raul Schmidt, apontado como operador de propinas. Em etapa internacional da Lava Jato, ele foi encontrado e detido em Lisboa (Portugal), mas foi liberado para responder o processo em prisão domiciliar. O Brasil fez 1 pedido de extradição, e a justiça portuguesa emitiu 1 mandado de detenção contra ele, mas ele não foi encontrado e permaneceu foragido.

Foi nesse contexto que, em 1º de fevereiro de 2018, o procurador Roberson Pozzobon sugeriu, em grupo de mensagens do Telegram, uma manobra para encontrá-lo (as mensagens foram transcritas tal qual foram enviadas, sem correções gramaticais): “prezados, gostaria de submeter à analise de todos a questão da operação na filha do raul schmidt.. basicamente, ela esta envolvida em algumas lavagens por ser beneficiária de uma offshore do pai.. pensamos em fazer uma operação nela para tentar localizá-lo.. oq acham?”.

A sugestão criou desconfiança entre os demais procuradores, inclusive no coordenador da força-tarefa, Deltan Dallagnol, que perguntou qual era o ganho da operação: “salvo se realmente achar que ela tá envolvida nos crimes, não haverá provas deles -quanto à loalização dele, pode até achar, mas terá poucas horas pra prendê-lo, ou menos de poucas horas, tendo de mobilizar polícia fora em país que não sabemso qual em território de fronteiras abertas UE…”.

A medida, porém, foi aceita. No dia seguinte, o MPF encaminhou pedido a Moro para que a filha de Schmidt fosse proibida de deixar o Brasil e fosse alvo de busca e apreensão em sua casa, além de sofrer bloqueio de contas bancárias e quebra de sigilo fiscal e de mensagens de 1 número dela no WhatsApp. O órgão justificou alegando que havia evidência de que ela era beneficiária de contas bancárias no exterior, abastecidas com propinas de Schmidt.

Em 3 de fevereiro, Schmidt foi preso em Sardoal, a cerca de uma hora de carro de Lisboa. Dois dias depois, Moro negou a cassação do passaporte dela, afirmando que não viu causa suficiente para a ação.

Em seguida, perguntou aos procuradores se as demais medidas ainda eram necessárias, já que o pai havia sido preso. A força-tarefa respondeu que não. Schmidt foi solto 12 dias depois.

Em maio de 2018, a estratégia foi usada novamente. No dia 18, a justiça de Portugal determinou ordem de extradição do empresário e, 4 dias depois, os procuradores pediram com urgência a Moro o cumprimento das medidas contra a filha dele. O então juiz acatou o pedido sem que o MPF fizesse adendos ao processo.

Os mandados de busca e apreensão contra ela foram cumpridos em 24 de maio, e sua defesa alegou que os agentes da Polícia Federal tentaram pressioná-la para que ela revelasse o paradeiro de seu pai. No mesmo dia, porém, 1 desembargador do Tribunal de Relação de Lisboa determinou o cancelamento da extradição do empresário, que voltou a responder em liberdade.

Nathalie Angerami Priante Schmidt foi denunciada pela Lava Jato por lavagem de dinheiro e seu caso corre até hoje em sigilo. Já a extradição de Raul foi arquivada.

 

OUTRO LADO

Sobre o caso, o MPF respondeu que todos os pedidos cautelares são formulados “quando estão presentes os requisitos legais” e que “Nathalie Schmidt foi beneficiária de contas secretas que receberam milhões de dólares ilícitos no exterior, podendo estar sujeita, por tais condutas, a sanções criminais”.

A PF (Polícia Federal) foi questionada sobre as supostas ameaças contra Nathalie, durante operação, mas respondeu apenas que “supostos envolvidos, caso intimados, devem se manifestar em juízo para apresentarem suas versões”.

Já Moro não enviou resposta ao The Intercept.

Segundo informações, Poder 360.

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