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Interior

Biólogos alertam que Dourados vive urbanização de animais silvestres

01 setembro 2019 - 18h18

A sucuri com tamanho estimado em dois metros de comprimento foi capturada nas proximidades do shopping. Uma onça-parda mobilizou autoridades ao se abrigar sobre pé de jaca em bairro residencial. Um urutau é flagrado no centro da cidade durante poda de árvore.

Para biólogos ouvidos pelo Dourados News, essas ocorrências recentes que mobilizaram os douradenses entre janeiro de 2018 e a semana passada, embora surpreendentes e também belas, demonstram o processo de urbanização de animais silvestres e acendem um alerta.

 

PERÍMETRO URBANO

Segundo o biólogo Guilherme Lucato, mesmo sem recorrer ao embasamento literário ou científico, é possível constatar que a presença cada vez maior desses animais na cidade “é o preço que pagamos por um crescimento desorganizado”.

“O perímetro urbano de Dourados aumentou, houve um boom de loteamentos e bairros novos, tanto para o lado da Aldeia Indígena onde havia matas quanto para o lado da Embrapa. Por mais que deixem Área de Preservação Permanente, tem um ecossistema vivendo ali e como esses animais precisam comer, estão aqui se adaptando com a gente. Querendo ou não a gente tomou o lugar deles. É triste de ver”, pondera.

Maior cidade do interior de Mato Grosso do Sul, com população estimada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) em 222.949 habitantes, Dourados “possui uma extensa vegetação de cerrado e com grandes manchas de matas tropicais”, de acordo com o Perfil Socioeconômico 2018 de Dourados, elaborado pela UFGD (Universidade Federal da Grande Dourados).

“De acordo com os dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), atualmente o município de Dourados conta apenas com 42 hectares de Mata Atlântica. Pois, desde a década de 1970, houve uma intensa ocupação de pastagens e plantios de soja no Estado de Mato Grosso do Sul”, detalharam os pesquisadores.

 

ALIMENTO

Guilherme avalia que no caso da onça-parda localizada sobre um pé de jaca na Rua Santos Dumont, na Vila Rosa, em 30 de janeiro de 2018, é possível que “ela estivesse perto do perímetro e veio atrás de comida, algum pequeno animal, antes de ficar acuada na árvore”. Esse felino foi capturado no dia seguinte pela PMA (Polícia Militar Ambiental), examinado em uma universidade particular e devolvido à natureza.

Mais recorrente, o aparecimento de sucuris nas proximidades do shopping pode ter a mesma motivação, a busca por alimento. “É a urbanização dos animais silvestres. Querendo ou não a gente tomou o lugar deles e eles estão aqui se adaptando com a gente, é triste de ver. É o preço que pagamos por um crescimento desorganizado”, aponta.

Segundo a bióloga Patrícia Rondon, Dourados tem fauna e flora ricas, mas pouco conhecidas pela população. “Acho que falta uma ponte entre as universidades e a sociedade, mais diálogo repassando as informações sobre os conhecimentos sobre o município de Dourados e todo o seu entorno”, avalia.

 

CONSCIENTIZAÇÃO

Ela alerta ainda para necessidade de conscientização social como meio de evitar a morte desses animais. “Vejo esses flagrantes em áreas urbanas como um alerta. Pode ser um sinal que estão ficando com menos habitats e recursos para se abrigar, se alimentar e por isso adentrando mais nas áreas urbanas”, opina.

“Provavelmente essas ocorrências podem aumentar e seria importante que as pessoas fossem orientadas a ligar para os serviços de Defesa Civil para que esses animais possam ser resgatados e manejados para locais adequados. Para isso, a população tem que ter consciência que não se deve agredir ou até mesmo matar esses animais e sim chamar os profissionais capacitados para fazer o manejo adequado”, destacou.

Em fevereiro deste ano, Patrícia lamentou a morte de uma cobra arco-íris, não venenosa, encontrada no quintal de uma casa do Conjunto Residencial Monte Carlo, em Dourados. Confundida pelos moradores da região com uma temida jararaca, a serpente foi morta a pauladas.

 

ARBORIZADA

Mais recente, o flagrante de um urutau mãe-da-lua no centro cidade também gerou muita repercussão. Fotografada por Ailton dos Santos, de 39 anos, que fazia a poda da árvore na Avenida Weimar Gonçalves Torres, a ave não se intimidou com a proximidade do celular utilizado como máquina fotográfica.

O biólogo Guilherme Lucato lembra que o fato de Dourados ser uma cidade bem arborizada contribui para essa presença constante das mais variadas aves. “Trabalho no centro e tem um horário do dia que passam duas araras vermelhas. De onde vem e para onde vão não dá para saber, mas elas estão vivendo aqui com a gente”, destaca.

Em julho deste ano, estudo apresentado na Câmara Municipal pela Fundação de Apoio à Pesquisa ao Ensino e à Cultura revelou que Dourados tem aproximadamente 94 mil árvores na área urbana, resultando em 55 árvores por quilômetro de via. “Foram identificadas 150 espécies e a altura média delas é de 5,28 metros”, detalhou na ocasião a prefeitura, que encomendou o levantamento para elaboração do Plano de Arborização do município.

 

DOURADOS É O BICHO

De tantos e belos flagrantes de animais na cidade, Vanderley Pereira, biólogo e geógrafo, criou no Facebook e Instagram a página Dourados é Bicho, por meio da qual posta com frequência, apoiado pelo amigo Nicolas Pinto, advogado, a biodiversidade urbana de Dourados.

“Muitas vezes a correria do dia-a-dia não nos deixa observar as sutilezas ao nosso redor. Aves, répteis mamíferos residentes ou passageiros fazem parte do nosso quotidiano. Basta olhar um pouquinho mais e apreciar nossas riquezas”, pontua.

Mas ele reforça o alerta feito pelos demais biólogos ouvidos pelo Dourados News. “Claro que determinadas espécies vindo para a cidade causa preocupação com o meio ambiente. Sinal que algo não anda bem”, pontua.

Com informações, MS NEWS.

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