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Meio Ambiente

Suor, fumaça e chamas: a rotina de combate a incêndios na Amazônia Por Leonardo Benassatto e Ueslei Marcelino

14 agosto 2020 - 10h00Por Reuters

APUÍ, Amazonas (Reuters) - Por um momento, os bombeiros foram surpreendidos pela súbita fúria das chamas, com a velocidade com que cresciam e se moviam, carregadas pelo vento noturno.

Umfazendeiro desta região remota da Amazônia havia colocado fogo em parte de suas terras —sob supervisão de bombeiros do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama)— na mais recente tentativa de conter um grande incêndio perto de sua casa.

Mas o fogo é imprevisível, especialmente na Amazônia, onde diferentes tipos de vegetação queimam em ritmos diversos durante os longos meses secos da “temporada de incêndios” anual.

O vento e o calor podem mudar rapidamente o padrão de um incêndio. Até as chuvas de meses atrás podem fazer diferença.

 

Dez bombeiros, vestidos com jaquetas amarelas contra chamas e balaclavas brancas puxadas sobre a boca para se protegerem da fumaça, trabalharam para controlar as novas chamas com um canhão de água, empurrando-as em direção ao incêndio maior.

Não há muito mais a ser feito.

O fogo, já preenchendo o horizonte, é grande demais para ser apagado com os poucos equipamentos e a pequena equipe que o Ibama tem em Apuí, uma cidade de cerca de 20 mil habitantes em um trecho de terra acidentada da rodovia Transamazônica, no canto leste do Estado do Amazonas.

Dois jornalistas da Reuters acompanharam os bombeiros, que usavam máscaras de gás contra a fumaça e suavam com as chamas, enquanto o calor subia através de suas botas.

 

A Reuters viajou por cinco dias ao longo de trilhas empoeiradas e esburacadas e pontes precárias de árvores derrubadas para conter alguns dos milhares de focos de incêndio que queimam na Amazônia.

Na terça-feira, o presidente Jair Bolsonaro afirmou que a Amazônia não “arde em fogo”, e alegou ser criticado “de forma injusta”, apontando como culpados a imprensa e governos estrangeiros.

De acordo com dados do governo, os primeiros 12 dias de agosto tiveram quase o mesmo número de focos de incêndio que igual período do ano passado, quando um forte aumento de focos de incêndios em toda a Amazônia atraiu condenação internacional em meio ao alarme sobre o desmatamento em uma região crucial para o combate contra o aquecimento global.

Especialistas dizem que incêndios raramente são um fenômeno natural na floresta tropical, mas sim resultado de queimadas deliberadas para limpar terras desmatadas.

O desmatamento aumentou 34,5% nos 12 meses até julho, em comparação com o ano anterior.

 

Bolsonaro enviou militares para combater incêndios e desmatamento desde maio, mas seu impacto é questionado por especialistas ambientais.

Ao cair da noite em Apuí, o fogo estala. Uma árvore gigante tomba em chamas com um estrondo de fogo. O pior já passou, o fogo foi basicamente controlado e os bombeiros, cheirando a fumaça, entram em seus caminhões e seguem para o próximo.

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