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JUSTIÇA

Professor pesquisado por acusado de matar Marielle renuncia à direção após ameaças

17 julho 2019 - 17h30Por Extra

Pesquisado na internet pelo PM reformado Ronnie Lessa, acusado de assassinar a vereadora Marielle Franco e o motorista Anderson Gomes, o professor da rede estadual Pedro Mara renunciou ao cargo de diretor do Ciep 210 Mário Alves Vieira, localizado em Belford Roxo, na Baixada Fluminense, e pediu transferência para outra unidade. A decisão, segundo ele, foi por conta de uma ameaça de morte feita pela milícia da região. O docente teve conhecimento da ameaça no dia 3 de maio, quando se reapresentou ao trabalho e foi alertado por um colega.

— O professor informou que alguns servidores que residem próximo foram intimidados e abordados pela milícia da região, com a finalidade de enviar recados para que eu não retornasse a escola, afinal os seus "negócios" poderiam ser prejudicados com a visibilidade midiática que o meu caso trouxe. É um relato estarrecedor — destaca o professor.

Nesta terça-feira, o educador protocolou o pedido de transferência na Secretaria Estadual de Educação do Rio. Ele, que mora no Catete, Zona Sul do Rio, precisa percorrer, diariamente, cerca de 45km até a escola. Por não ter qualquer estrutura de segurança ou escolta, pediu a movimentação da matrícula para colégios próximos a sua residência, sem precisar percorrer longas distâncias. Segundo ele, "a intimidação e a prática da coação são incompatíveis com a democracia".

O professor ficou em evidência em 2017 após um atrito com o então deputado Flávio Bolsonaro (PSL) apresentara denúncia ao Ministério Público pelo fato de Mara, que defende a legalização da maconha e leciona Educação Física para menores de idade, ter uma folha de maconha tatuada no antebraço. Em março deste ano, veio à tona que um dos acusados no caso Marielle realizou pesquisas a seu respeito.

— Faz um tempo que vivo sob ameaças, o que me traz várias restrições. Ando por poucos lugares de Niterói, Centro e Zona Sul; não chego em casa após as 20h; e sempre aviso a amigos para onde estou indo. Mas a situação piora com a milícia indo até a escola e fazendo intimidações. Desenvolvi depressão, além de picos de ansiedade e crises de pânico, e esse quadro piorou. Entrei de licença médica.

Agora, Pedro Mara aguarda a decisão da secretaria. De acordo com ele, o retorno ao trabalho deve ocorrer no próximo dia 23, conforme prazo da licença médica. O caso já foi registrado nas comissões de Direitos Humanos e de Educação na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) e vai solicitar uma investigação do Ministério Público estadual.

Na carta, o professor lembra que o secretário estadual de Educação, Pedro Fernandes, também sofreu ameaças de morte e está sob escolta policial: "Desejo que o seu caso seja resolvido e que a liberdade possa ser restituída". Além disso, cita casos recentes de criminalidade em Belford Roxo: "A violência não pode ser ignorada. Aliás, recentemente, ocorreram as execuções do secretário executivo do prefeito daquele município, em 25 de junho, assassinado em área próxima ao Ciep 210, e a chacina no Bar do Peixe, no dia 29 de junho, que seria investigada a partir da disputa entre traficantes e milicianos", destaca Mara.

Defesa do Consumidor

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