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POLÍTICA

Bernal e o limite da paciência

13 maio 2019 - 17h50

Durante esses dias toda a mídia e a classe política está com seus olhos, ouvidos e sentidos voltados para a refrega entre o presidente do Progressistas (ex-PP) e deputado e vereadores e deputado eleitos, pelo partido.

Mas, afinal, o que acontece? Alcides Bernal pode ser intransigente, mas louco não é. Nenhum louco assumiria um partido político quebrado, uma sigla antes sem nenhuma expressão no estado e conseguir eleger vereadores na Capital e deputados estaduais. Nem conseguiria o contingente de votos que consegue.

Talvez, até. Não é buscando desculpas, sequer querendo defender o indefensável, mas na procura de explicações plausíveis, qualquer cidadão sul-mato-grossense acompanhou as discrepâncias da política campo-grandense

Bernal foi vítima de um golpe bem articulado e bem pago. Vereadores, alguns sequer reeleitos, participaram disso. O então presidente da Câmara de Vereadores correu feio depois de investigado, preso, solto, escrachado. Outros vereadores sob investigação. O vice-prefeito investigado, preso e algemado a uma tornozeleira… E dai vai.

Os articuladores e financiadores sob investigação, sendo que o atual senador da República e ex-prefeito está com os bens bloqueados, seu maninho caçula, querido, numa gestão suspeita, sem conseguir conter epidemias, sem conseguir tapar buracos das vias, com a periferia abandonada e não conseguir tocar um projeto sequer sem, em dois anos articular uma licitação para kits escolares quando tanto denunciou e criticou a administração Bernal… Serão esses.

Em tão pouco tempo, Bernal reassumiu o comando da Capital, sem provimento sequer do 13º dos servidores no mês de agosto. Sem dinheiro, com uma epidemia de Dengue às portas, a cidade entregue aos buracos nas suas vias, o transporte com tarifas acima de qualquer previsão. Bem, controlou a epidemia, conseguiu manter os pagamentos dos proventos dos servidores em dia, reduziu o preço dos transportes - ainda que não conseguisse romper o monopólio nefasto do consórcio Guaicurus. Negociou com professores e servidores da rede municipal, impedindo greves; valorizou os profissionais da saúde, manteve médicos – que foram perdidos pela atual administração. Enfim, quais foram seus crimes?

Dai vêm os chinfrins. Tristes figuras. Aquele usado e abusado em suas funções e capacidades reconhecidas, que se fez vereador. Aqui, merece um parênteses, jogado para fora de todos os partidos. Conseguiu guarida naquele partido, antes mequetrefe, que se fez por meio de um político sério e popular – não populista. Ninguém acreditava nele, mas Bernal acreditou e apostou, deu guarida. Valeu, sim, para o partido, teve contingente de votos, mereceu. Ah, mas dai veio tal vaidade… cogitado pelos “grandes” partidos que estão se esfacelando, buscando cabeças de porco que lhes rendam votos, ficou encantado.

Bernal é cabeça dura. Sim. É uma casca grossa criada por tantas pancadas da “justiça” que, uma hora lhe caça o mandato e entrega a quem reduziu a administração a nada, depois lhe devolve, depois diz que foi golpe, depois lhe impede sua posse como deputado federal eleito com mais de 47 mil votos. Bernal não é articulador, não é, mas tornou o partido forte.

Quem eram Darlengh e Evander Vendramini, um vereador sem luz de Corumbá, postulantes e eleitos aos cargos de vereadores e deputado. Quem era Ivandro Corrêa feito administrador pelo responsável pela Maternidade Cândido Mariano, ginecologista Alfeu Duarte? Então, de repente, todos se rebelam. Mas o que fizeram para seus cargos?

Se falta articulação e jogo de cintura de Bernal, não falta também a eles? Querem um partido ao qual representam e obedecem ao estatuto, ou, o que?

No popular, “chamem na chincha”, Compareçam ao diretório. Vão até a última instância. Não usem a mídia, não utilizem das últimas instâncias. Se foram bem recebidos no momento em que se beneficiaram do partido, por que não agora?

Aos que pretendem trocar Jesus por Genésio, diz a sabedoria popular, não troque o amor antigo pelo novo, porque o antigo permanece e o novo lhe abandona. Quem fez o Progressistas foi Bernal; quem se aproveitou da oportunidade foram vocês. Quem lhes deu guarida quando eram apenas ilustres desconhecidos? Quem se aproveitará de seus parcos votos e de seu imenso desconhecimento agora? Qualquer merreca de votos conta para os partidos maiores, mas, e vocês, o que será de vocês?

 

Jornalista Dirceu Martins.

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