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Pucinelli, meu senhor… de Rei a Bobo da corte

23 abril 2019 - 09h40

Eu era um Senhor em pequeno condato, com um séquito de servidores, vassalos. Aqueles nobres de perucas a lhes esconder os piolhos, suas vestes, seus narizes empinados. Até que fui desbancado pela verdade.

 

Fui o Rei com meu Merlim que fazia desaparecer até as mais modernas tecnologias, disquetes de denúncias que desapareciam mesmo dentro da corte do Rei. Eu podia tudo e meu príncipe encantado, também.

 

Dentro do meu condato, era o senhor supremo. Fui assim.

 

Gostaria que fosse uma história, sem nexo, sem verdade, mas não. Foi difícil digerir tudo o que veio à tona. Coisas que vieram de outros, menos capazes, sejam prefeitos, ou fossem eles governadores. O que talvez não se esperasse era a tamanha decepção. Um coronel que nos deu a esperança de combater os coronéis.

Então, com tantos votos e o olhar atônito de quem conseguiu comandar esse rincão, nos decepcionou, nos colocou junto a ele no banco dos réus como se nós fossemos cúmplices.

Não resta mais a admiração pela sua administração, só nos cai no colo as denúncias, praticamente comprovadas de falcatruas. O comandante em chefe distribuiu seus desmandos aos seus secretários.

E a coisa foi, foi, foi indo… Fruto de uma época dos descontroles da vida, da política, do ganhar por ganhar, acima e além de tudo, o que poderia ser um modelo de administração se transformou no mais obscuro de uma política obscura, sórdida, bandida.

Uma corruptela de tudo o que nos legaram alguns políticos, de Londres Machado (aprendiz de Antônio Carlos Magalhães, Magalhães Pinto, Carlos Lacerda, Ademar de Barros) até o ex presidente da Assembleia, Oscar Godoni, assassinado – talvez por engano como uma vítima.

André foi tudo, e continua sendo. Com certeza seria eleito se fosse candidato a prefeitura, ou senado, ou governo. André Puccinelli está acima do Rei, para uma imensidão de admiradores. Lula, também. É o inatingível imaginário popular que manteve Paulo Maluf adorado e admirado.

André mandou e desmandou, manteve sob seu julgo a própria justiça aqui pelas plagas do nosso imenso pantanal, foi inocentado em todas as instâncias, fez como um “Mister M” sumir disquetes da Justiça Federal, comprovado o sumiço, nunca achado o autor. E todos o reverenciam, como senhor, o esperto, o possível do impossível, o liberto espiando de longe seus discípulos e secretários e apoiadores, mais ingênuos e menos articulados, ainda hoje presos, encarcerados,

Existe, enfim um Rei, e seus diversos bobos da corte. O bobo da corte sempre foi aquele que direcionou as atitudes do Rei, em se fazendo de idiota, conduzia por linhas e métodos próprios os próprios monarcas. Tudo mudou, mesmo que Maquiavel se mostre cada dia mais atual, conduzindo o Príncipe, mas as coisas avançam, a passos curtos, com a justiça capenga, de viseiras, com bridões. De repente, se fez a delação premiada e tudo indica que aqueles que foram tão fiéis, até que fossem traídos, trairão também. De Rei fez-se o Bobo.

Talvez seja bom lembrar que tudo o que se apurou a partir do Mensalão do PT, colocou na cadeia apenas o empresário Marcos Valério. Todos os políticos, espertos e perspicazes ficaram isentos de culpa, de nódoa, com fichas limpas. A partir de então, a coisa vale no “vou, mas não vou sozinho”, basta acompanhar que até o próprio Marcos Valério fez acordo de delação premiada, tardia, mas delação – o velho e conhecido dedo-duro.

Marcelo Odebrecht e sua turma tiraram da reta, outros empresários, também. Caíram políticos abençoados pelos padrinhos instalados nas diversas instâncias jurídicas, mas quase impossíveis de segurar. Nem tem como, não existe texto jurídico que os sustente. Os poderosos que escondiam dinheiro na cueca, que corriam com malas saindo de uma pizzaria, os 51 milhões guardados em um apartamento e que, misteriosamente a justiça entendeu como não sendo prova suficiente, a Lama Asfáltica em nossa casa, o Aquário…

É dito e redito popular que: Quem se vendeu a mim, se venderá a outro, então, talvez não seja toda a turma confiável. Será um bom motivo a questionar se, prefiro ficar pagando uma pena que não é apenas minha, ou sair e estar sujeito a essa violência que está presente nas ruas.

 

Jornalista Dirceu Martins

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