Menu
Busca Sáb, 24 de julho de 2021
(67) 9.9928-2002
POLÍTICA

Carlos volta discreto à Câmara no Rio e assina proposta da oposição

Após protagonizar a crise do governo federal que resultou na demissão de Gustavo Bebianno da Secretaria-Geral da Presidência, o filho "Zero Dois" do clã voltou com discrição e serenidade ao trabalho parlamentar na semana passada, após 45 dias de recesso

23 fevereiro 2019 - 14h30

Com postura cortês até em relação a adversários, o vereador Carlos Bolsonaro(PSC) desfaz, na vida real da Câmara Municipal do Rio, a imagem de "pit bull" virtual das redes sociais, que ataca até aliados do seu pai, o presidente Jair Bolsonaro. Após protagonizar a crise do governo federal que resultou na demissão de Gustavo Bebianno da Secretaria-Geral da Presidência, o filho "Zero Dois" do clã voltou com discrição e serenidade ao trabalho parlamentar na semana passada, após 45 dias de recesso. Eleitores bolsonaristas têm cobrado que Carluxo, como é conhecido, atue mais nas discussões do município, como autoriza o seu mandato, e menos nas questões que envolvem o Palácio do Planalto, sob o comando do patriarca Jair.

Carlos não discursou nenhuma vez na tribuna nos quatro dias de atividades do plenário da Casa - em geral, fala pouco -, mas fez posts no seu perfil no Twitter comentando proposições que estavam na ordem do dia do Legislativo municipal. Uma de suas primeiras iniciativas após voltar foi abrir mão da liderança de seu partido na Casa. O cargo é destinado geralmente ao vereador que teve mais votos, por permitir, por exemplo, maior tempo para falar sobre projetos de lei. A liderança foi ocupada pelo novato Major Elitusalem, suplente do agora vice-governador Cláudio Castro (PSC), eleito em outubro passado.

Aparentando impaciência, Carlos permaneceu poucos minutos no Plenário, onde quase todo o tempo falava ao telefone celular ou olhava a tela do aparelho. Interrompia essa postura quando colegas, de diferentes partidos, o abordavam para cumprimentá-lo ou para trocar cochichos. Saía, porém, com frequência: ia ao seu gabinete ou para uma sala anexa, para conversar longe de olhares indiscretos.

Em sua volta, o gladiador de Jair Bolsonaro nas redes sociais tratou educadamente todos que se aproximaram. Um deles, o vereador Tarcísio Motta (PSOL), lhe deu um "tapinha" nas costas e conseguiu que assinasse proposta de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI). A ideia é investigar possíveis falhas da prefeitura nas últimas enchentes que atingiram o Rio.

"Assinamos a CPI das Enchentes devido a fato público de que recursos para combate a contenção de encostas no Rio de Janeiro vinham sendo reduzidos drásticamente (sic), mesmo diante de sabidas catástrofes", explicou Carluxo, no Twitter. O perfil na rede era o mesmo que Carlos usou para acusar o PSOL por suposta participação no ataque a faca contra o seu pai, em Juiz de Fora, Minas Gerais, em 6 de setembro. O homem preso em flagrante pelo crime, Adelio Bispo, foi filiado ao PSOL, embora não integrasse mais o partido quando atacou Jair.

Por meio de sua assessoria de imprensa, Tarcísio Motta explicou, em nota, que foi conversar com Carlos para explicar a proposta de CPI e perguntar se o vereador do PSC a assinaria.

"Ele concordou com a proposta, assinou o requerimento, e eu agradeci, como deve ser em qualquer parlamento. Não há problema algum em descrever a relação respeitosa e profissional que mantenho com um vereador da cidade que atualmente é filho do presidente", disse.

O vereador do PSC, de 36 anos, também assinou um requerimento do vereador Jimmy Pereira, do PRTB, para homenagear o vice-presidente Hamilton Mourão. Carlos não fez discurso para defender o projeto no plenário, mas compartilhou em suas redes sociais uma foto sua com o requerimento na mão. Mourão tem demarcado suas diferenças em relação ao presidente Bolsonaro, em entrevistas diárias. Carlos já insinuou no Twitter que o vice gostaria de substituir seu pai na Presidência. Até afirmou que haveria gente próxima interessada na morte do presidente.

"Assinando pedido de colega para oferecer a Medalha Pedro Ernesto para o Grande General Mourão", escreveu.

Integrantes da equipe de Renato Cinco, vereador do PSOL com quem Carlos já travou discussões mais acirradas no passado, afirmaram ter sentido mudanças na postura do filho do presidente na atual legislatura. Com poucos discursos e escassos projetos convertidos em lei, Carluxo passou 2018 inteiro sem usar a tribuna. Licenciou-se sem remuneração em agosto do ano passado para ajudar na campanha do pai e voltou em meados de novembro. A volta aconteceu após uma disputa com Gustavo Bebianno, cuja nomeação para a Secretaria-Geral da Presidência o desagradou. Irritou-se quando o agora ex-ministro afirmou que o filho do presidente poderia ser secretário de Comunicação - na opinião de Carluxo, para "queimar" o seu nome.

Em outras legislaturas, Carlos pediu a palavra na Câmara poucas vezes - e para defender o pai. Foi o que aconteceu em dezembro de 2014, quando Renato Cinco fez críticas a Jair por causa do confronto com a deputada Maria do Rosário (PT-RS). O então deputado disse que a petista gaúcha "não merecia ser estuprada", por ser muito feia - acabou processado e condenado por causa do insulto. Cinco disse que aquela atitude era de "machão truculento que não tem muita capacidade intelectual". Neste momento, Carlos dirigiu-se a Cinco, que reagiu chamando-o de "valentão de colégio". Houve discussão entre os dois - mas nada além de um bate-boca.

Outro confronto de Carlos e Cinco na Câmara ocorreu em abril de 2013. O vereador do PSOL reclamou que alguém havia deixado em sua bancada no Plenário um panfleto fazendo ataques ao seu partido com notícias falsas. Cinco disse que o autor do panfleto "era covarde" porque não o assinara. Carlos pediu questão de ordem e disse ter sido ele que deixara o texto ali. Declarou que relatava itens que constariam do Plano Nacional de Cidadania LGBT, como supostamente inserir nos livros didáticos a temática LGBT e falar do Movimento Sem Terra Homossexual. Com informações, Politica ao Minuto.

vacina sim

Deixe seu Comentário

Leia Também

Dourados
Agesul retira mais de 800 toneladas de lixo das margens da MS-156 em Dourados
Interior
SubsRacial leva Campanha Julho das Pretas a Rochedo, com temas de saúde e educação
Mato Grosso do Sul
Temperaturas voltam a subir e ar seco segue predominando nesta quarta-feira
Mato Grosso do Sul
Governo investe R$ 5,8 milhões na pavimentação da MS-455, criando novo acesso a Capão Seco
Interior
Corpo de Bombeiros monitora incêndios com imagens de satélite e amplia fiscalização em áreas de focos
Campo Grande
Até quando a massa de ar frio polar vai atuar em Mato Grosso do Sul?
Esportes
Hoje é Dia: nota 10 de Comaneci e Dia do Futebol marcam semana
Saúde
Covid-19: Brasil soma 541,2 mil mortes e vai a 19,3 milhões de casos
Violência
Em vídeo exclusivo, DJ Ivis pede perdão a Pamella e a todas mulheres
Tempo
Ela vem: frente fria vai derrubar temperaturas para menos de 3ºC e causar geada em MS, diz previsão