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Funcionária que disparou WhatsApp para Bolsonaro ganha cargo no Planalto

18 janeiro 2019 - 13h20

A funcionária da agência de comunicação que contratou disparos em massa de mensagens de WhatApp para a campanha presidencial de Jair Bolsonaro (PSL) foi nomeada para um cargo comissionado na Secretaria-Geral da Presidência, e deve despachar a poucos metros do presidente. 

Com salário de cerca de R$ 10,3 mil, Taíse de Almeida Feijó será assessora do gabinete do secretário-geral da Presidência, Gustavo Bebianno, um dos principais articuladores da campanha. A nomeação foi feita no Diário Oficial da União na segunda-feira (14). 

Em 18 de outubro de 2018, o jornal "Folha de S.Paulo" revelou que empresas compraram pacotes de disparos em massa de mensagens contra o PT no WhatsApp. A prática é vedada pela legislação eleitoral e pode ser enquadrada como doação ilegal de empresas. O caso é alvo de investigações conduzidas pela Polícia Federal e junto ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral). 

Reprodução/Arte/UOL

Captura de tela de sistema da Yacows mostra que Taíse era responsável pelas campanhas da AM4
Imagem: Reprodução/Arte/UOL

 

UOL revelou que tanto o PT como a campanha de Bolsonaro, que inicialmente havia negado o uso do WhatsApp durante o período eleitoral, haviam usado o mesmo sistema de disparo em massa de mensagens. 

Na época, a reportagem do UOL teve acesso a registros da AM4 no serviço de mensagens chamado Bulk Services, oferecido pela agência Yacows. Os dados do sistema utilizado pela Yacows e pela AM4 mostraram que o conteúdo de mensagens enviadas para a campanha de Jair Bolsonaro foi deletado horas depois da Folha publicar uma reportagem sobre o esquema.

Uma das mensagens apagadas, segundo a AM4, dizia respeito a pedidos de doação para a campanha do candidato do PSL. O login de usuário para as ações da campanha estava em nome de Taíse, que atuou como gerente de projetos da AM4 por pelo menos oito anos. Em uma das listas de contatos apagadas estavam registrados pouco mais de 8.000 números de telefone.

A empresa, na época, negou que a funcionária tenha deletado o conteúdo de mensagens contratadas para a campanha do então candidato do PSL. 

"A funcionária Taíse Feijó foi quem contratou o serviço remotamente e cadastrou uma senha, mas ela afirma que não deletou nada do sistema. Se alguém fez isso, não foi a AM4 até porque não haveria nenhuma ilegalidade nesta ação", disse a empresa em nota. 

De acordo com o TSE, a AM4 recebeu R$ 650 mil para atuar na campanha de Bolsonaro. 

A reportagem do UOL questionou a Secretaria-Geral da Presidência sobre os motivos que levaram à nomeação de Taíse de Almeida Feijó. O órgão também foi questionado se tinha informações sobre os detalhes da atuação dela durante a campanha eleitoral. 

Em nota, o órgão comandado por Bebianno respondeu que a nomeação de Taíse se deu por "critérios técnicos, após avaliação curricular e entrevista". 

Ainda de acordo com a nota, a "Secretária-geral da Presidência da República não avalia para admissão de seus profissionais a experiência em empresas específicas, mas os resultados obtidos na sua trajetória profissional (pública ou privada) além dos princípios da administração pública federal". 

A reportagem não conseguiu localizar Taíse Feijó. Procurada por e-mail e telefone, a assessoria de imprensa da agência AM4 enviou uma nota em que afirma que a funcionária foi desligada. "A sra. Taise Feijo não trabalha mais no Grupo AM4. Com o fim do processo de transição, o sr. Marcos Carvalho reassumiu suas funções de CEO na companhia. Qualquer outra questão deverá ser apurada diretamente com o governo", afirmou a AM4 em nota.

Reprodução

Captura de tela do sistema da Yacows mostra mensagens apagadas logo após reportagem da Folha   Imagem:Reprodução

 

Sócio de agência na equipe de transição

Taíse não é a primeira funcionária da AM4 a ocupar um cargo no governo federal depois da vitória de Bolsonaro nas eleições presidenciais. 

Um dos sócios da empresa, Marcos Aurélio Carvalho, foi nomeado em novembro do ano passado para integrar a equipe de transição. Ele é tido como um dos "marqueteiros" da campanha de Bolsonaro à Presidência. 

Dois dias depois de ser nomeado, em meio a reportagens sobre sua participação no governo, ele anunciou que renunciaria à sua remuneração como funcionário comissionado, em torno de R$ 9.900. Com informações Uol Noticias.

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