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Negócios

Marun usa cargo para divulgar empresa da mulher nos países árabes, denuncia revista

10 abril 2018 - 10h37
Nova denúncia envolve o ministro Carlos Marun, chefe da Secretaria de Governo e considerado "pit bull" do presidente Michel Temer (MDB). Reportagem da revista Época o acusa de usar o cargo para divulgar a empresa da sua mulher, arquiteta e advogada Luciane Garcia Marun, que é especializada na assessoria de negócios com os países árabes.

Em três meses, desde janeiro deste ano, Marun teve sete encontros oficiais com autoridades do Kuwait, Líbia, Tunísia, Iraque e Líbano. Na semana passada, acompanhou o presidente da República no Fórum Econômico Brasil - Ppaíses Árabes, realizado em São Paulo.

A coincidência revelada por Época é que os objetivos de Marun se confundem com os da Bropp (Brazilian Opportunities Assessoria Empresarial), situada no Jardim dos Estados, em Campo Grande, que pertence à sua esposa.

Só para ficar mais claro, o antecessor do sul-mato-grossense no cargo, o deputado federal Antônio Imbassay (PSDB/BA), não recebeu nenhuma comitiva do mundo árabe em quase um ano.

Luciane constituiu a empresa Luana Assessoria de Crédito Empresarial em 2009. Somente no segundo semestre de 2016, após o impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT), ela decidiu transformá-la em BROPP.

No dia 1º de agosto de 2016, Marun teve reunião com o embaixador dos Emirados Árabes, Khalid Khalifa, e estava acompanhado, adivinhe, do então diretor comercial da empresa de Luciane, Luiz Alberto Sperotto. Só que o diretor da companhia foi apresentado como "economista" no Facebook do ministro.

Ainda exercendo o cargo de deputado federal, Marun fez duas viagens em missão oficial ao Oriente Médio. A primeira foi no Líbano.

A segunda ocorreu de 18 a 23 de dezembro de 2016, quando se reuniu com potenciais investidores no Brasil em Abu Dahai e Dubai, nos Emirados Árabes, e Doha, no Catar. Acompanhado pelo  novo diretor da BROPP, Mário Fernando Calheiros, Marun se reuniu com o CEO do banco SG Morgan, Shaun G. Morgan. Ele confirmou à revista que o encontro foi agendado pelo diretor da empresa de Luciane.

Aqui vale o parêntese para dar detalhes da vida do banqueiro. Conforme Época, Shaun foi condenado em duas ocasiões. A primeira foi na Suíça por fraudes de US$ 30 milhões (R$ 102 milhões, na cotação de ontem).

A segunda condenação ocorreu nos Estados Unidos, onde ele foi condenado por dirigir banco falso e usar cheques falsos para comprar 40 propriedades. Após cumprir a pena, Shaun G. Morgan, que viu potenciais investimentos no Brasil nas negociações com Marun, foi deportado para Nova Zelândia.

Marun contou à Época que o encontro com o CEO do banco SG Morgan não evoluiu. Criada há quase dois anos, a BROPP ainda não tem clientes, conforme o ministro.

Luciane fez questão de destacar que "não faz nada com empresa pública".

A professora de Direito da Fundação Getúlio Vargas, Silvana Battim, entrevistada pela revista, vê a prática de crime nas ações do ministro. Na sua avaliação, Marun estaria cometendo os crimes de improbidade administrativa e peculato.

Nesta segunda-feira, a Comissão de Ética da presidência da República anunciou a abertura de procedimento para investigar o ministro.

Um dos heróis da multidão que foi às ruas pedir o impeachment da presidente Dilma, Marun não será candidato nas eleições deste ano. Ele aposta que ficará na chuva, expressão popular que significa sem cargo público, por dois meses.


O emedebista aposta que terá lugar cativo na administração pública em 2019. A principal aposta é na eleição do ex-governador André Puccinelli (MDB), réu na Operação Lama Asfáltica, que disputa o governo estadual pela terceira vez. A segunda é um aliado de Temer - acusado de chefiar organização criminosa, corrupção passiva e obstrução da Justiça - ganhar a presidência em outubro e garantir uma "boquinha" ao "pit bull", que fez fama ao garantir a defesa até o fim do ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha (MDB), condenado a 14 anos de corrupção e preso em Curitiba.
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