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POLÍTICA OU POLITICAGEM?

Moro é brando com Flávio e severo com Temer

16 maio 2019 - 09h30

A proximidade é complacente. A distância é implacável. É o que revela o ministro Sergio Moro (Justiça) ao adotar pesos e medidas diferentes para analisar os dramas penais que assediam as biografias do senador Flávio Bolsonado e do ex-presidente Michel Temer. Quando fala sobre o filho 'Zero Um' de Jair Bolsonaro, Moro é brando. Quando se refere a Temer, soa draconiano.

Em entrevista à GloboNews, na noite desta quarta-feira, o ex-juiz da Lava Jato foi instado a comentar a penúltima notícia que despencou sobre o primogênito do presidente. Documento do Ministério Público do Rio de Janeiro anota que o senador aplicou R$ 9,4 milhões na aquisição de 19 imóveis. Farejaram-se nas transações indícios de lavagem de dinheiro.

Moro deu um voto de confiança ao investigado: "Acredito que o senador vai ter plenas condições de esclarecer esses fatos com o tempo, desde que seja dado a ele algum tempo." Considerou "inapropriado emitir qualquer juízo a esse respeito." Escorregadio, alegou que "o ministro da Justiça não é um supertira, não cuida de todas as investigações do país."

Perguntou-se também a Moro que diferenças enxerga entre os casos de Lula e de Michel Temer. Menos evasivo, o ex-juiz realçou que Lula está preso porque foi condenado na primeira e na segunda instância. Quanto à reiterada prisão preventiva a de Temer, revogada pelo STJ, considera que é "uma decisão mais atacável, porque não é um juízo conclusivo, ainda, sobre provas."

A despeito de reconhecer que Temer ainda não foi abalroado por nenhuma sentença, Moro foi implacável com o réu: "O que eu vi, à distância, nas argumentações das decisões das prisões preventivas, somente no aspecto das provas, me pareceu bastante robusto. Infelizmente, muito infelizmente."

No caso de Flávio Bolsonaro, Moro disse coisas definitivas sem definir muito bem as coisas: "Essa questão do senador está com o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, não está no ministério." Realçou que, sempre que lhe perguntam "o que vai fazer em relação a isso?", responde: "Meu amigo, não está comigo, está em outro lugar." Absteve-se de recordar que o Coaf, ainda sob seus cuidados, é fornecedor de matéria-prima usada contra o 'Zero Um'.

Temer frequenta o banco dos réus em seis ações penais. Nenhuma delas está com Moro. Todos os processos estão "em outro lugar". O caso que rendeu duas passagens do ex-presidente pela prisão corre na 7ª Vara Federal do Rio de Janeiro, sob a supervisão da Procuradoria. Mas a localização geográfica não foi obstáculo para que Moro desejasse a Temer um futuro sombrio.

"O Brasil passa por uma situação dessa! Mas, veja, até o país aqui do nosso lado, o Peru, também teve presidentes presos que receberam vantagem indevida. E estão fazendo sua lição de casa. […] Nós temos que fazer com que o crime não compense, porque isso nos leva a um patamar melhor de institucionalidade. Isso vai ser bom para a ecomomia, para a Justiça, para a nossa democracia. As pessoas que cometeram crimes têm que responder pelos seus atos. Simples assim."

É uma pena que a proximidade impeça Sergio Moro de tratar Flávio Bolsonaro com a mesma objetividade. O ministro declarou a certa altura: "Não vou ser advogado de ninguém." Bom, muito bom, excelente. Agora só falta advogar em nome do interesse público, aplicando ao filho do presidente a mesma simplicidade: "Se cometeu crimes, tem que responder pelos seus atos." De um ministro da Justiça não se espera que emita sentença, mas que ofereça boas referências. Com informações, Uol Noticias.

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