Menu
Busca Qua, 27 de janeiro de 2021
(67) 9.9928-2002
Jornalistas pela Democracia

País começa a entrar perigosamente em pré-Estado policial

Enaltecidos pelo poder federal, os militares abriram o caminho da supervalorização para as forças de segurança. PMs se sentem fortalecidos por Bolsonaro para fazer greves e encarar a briga com os governadores", avalia Helena Chagas, do Jornalistas pela De

21 fevereiro 2020 - 15h35Por Plantão de Noticias

Por Helena Chagas, em seu blog e para o Jornalistas pela Democracia - Pode-se apontar a família Gomes como chegada a certos destemperos, e até se considerar exagerado o ato do senador Cid Gomes de subir numa retroescavadeira e invadir o batalhão de PMs amotinados. Mas seu irmão, Ciro Gomes, está coberto de razão ao responsabilizar o governo Bolsonaro pelo estado de coisas que levou um bando de policiais mascarados a disparar tiros a esmo. A bala que hoje está alojada no pulmão do senador poderia tê-lo matado – a ele ou a qualquer das pessoas ali presentes. O que se destaca no episódio é a autoconfiança dos participantes de uma greve ilegal, agindo como se o país não tivesse nem governo nem Constituição.

O que se ressalta, acima de tudo, é a incapacidade dos poderes constituídos de fazer cumprir a lei e a mensagem dúbia que é passada pelo próprio presidente da República. Jair Bolsonaro assinou o decreto de garantia da lei e da ordem e mandou o Exército para o Ceará, mas ao mesmo tempo defendeu o excludente de ilicitude para os militares que, neste conflito, matassem alguém.

Faltou pouco para Bolsonaro defender sua aplicação aos PMs que atiraram em Cid Gomes, caso ele tivesse morrido. E ainda disse que “aquele cara lá” (o baleado) não agiu corretamente. Se agiu ou não agiu corretamente, nada justifica que tenha sido atacado a balas por PMs mascarados.

O episódio, que pode se estender a outros estados, mostra que o país começa a entrar perigosamente naquele ponto em que se transforma em Estado policial. Enaltecidos pelo poder federal, ganhando a cada dia mais favores e benesses, os militares abriram o caminho da supervalorização para as forças de segurança. PMs se sentem fortalecidos por Bolsonaro para fazer greves e encarar a briga com os governadores dos estados – aqueles que, em tese, deveriam ser seus comandantes.

A banalização do uso de armas – por militares e civis – é outro ingrediente perigoso introduzido pelo atual governo. E as primeiras escaramuças do Carnaval – normalmente uma festa pacífica – começam a mostrar isso.

Os movimentos das PMs que se alastram pelo país não são mais uma questão orçamentária e salarial. Trata-se agora de um problema institucional, a exigir a intervenção do Legislativo e do Judiciário.

violência contra a mulher

Deixe seu Comentário

Leia Também

Ms
Governador em exercício Paulo Corrêa cumpre agenda em três municípios, onde vistoria e lança obras
Tempo
Quarta-feira típica de verão em Mato Grosso do Sul
Campo Grande
Presidente da Alems, Paulo Corrêa assume como governador em exercício de MS, nas férias de Reinaldo Azambuja
Campo Grande
Dono de hotel é detido com droga e dinheiro no centro
Campo Grande
Agentes da PRF interceptam carga de 9,5 tonelada de maconha na MS-276
Campo Grande
Onça solta no Pantanal já se alimentou e até atravessou o Rio Paraguai a nado
Covid 19 em MS
MS registra 1.047 novos casos; outros 5,2 aguardam encerramento
Marido matou esposa com 17 tiros após churrasco de família em fazenda de MS
Campo Grande
Quatro presos fogem do presídio de segurança Máxima de madrugada
Três Lagoas
Homem agride companheira e é preso por menina.