Menu
Busca Sex, 18 de setembro de 2020
(67) 9.9928-2002
Assédio moral

Sofri assédio moral e não fui pago

09 maio 2018 - 17h07Por Redação Notícias VIP
O ator Nobu Kahi, de 31 anos, não teve motivos para comemorar quando viu seu rosto em uma peça publicitária no horário nobre da TV.

Modelo de um dos vídeos da campanha do Governo Federal para divulgar a queda do desemprego, que foi ao ar nacionalmente nesta semana, Nobu diz que teve o contrato de trabalho desrespeitado, que sofreu assédio moral durante as filmagens e que ainda não recebeu "nem um centavo".

Na propaganda, porém, Nobu é "Pedro" - um trabalhador do setor industrial que está feliz com a queda do desemprego e a volta da atividade econômica.

Em março, Nobu fez um teste para uma campanha de propaganda para o governo. Se a peça fosse ao ar, como de fato foi, renderia um cachê de R$ 1 mil. "Cheguei às 15h e fui fazer o teste às 23h", conta ele.

Com a campanha aprovada, ele foi chamado para outros dias de gravação, nos quais diz ter sofrido episódios de forte assédio moral. Quando a campanha finalmente foi ao ar, em 7 de abril, o produtor avisou que o cachê tinha caído para R$ 600, sem dar nenhuma explicação. Disse ainda que o pagamento só seria feito dali a 90 dias - ninguém tinha avisado Nobu desta condição antes de o trabalho começar.

Segundo o ator, ele ainda ouviu que seriam descontados 30% de agenciamento e 15% de nota fiscal desse valor de R$ 600.

"É um desrespeito enorme. Eu tenho o contrato aqui, dizendo que o cachê seria R$ 1 mil que já é um valor muito abaixo da média do mercado. E em nenhum momento disseram que o pagamento seria depois de três meses",

Assédio moral
Nobu diz que os atores foram desrespeitados durante toda a produção e que ele pessoalmente sofreu assédio moral do diretor desde o início.

"Já no teste ele ficava me chamando de 'japa', de um jeito pejorativo, fazendo piadas infames e sendo muito preconceituoso. Nunca me senti mal de me chamarem da japa, mas ele me tratou de um jeito horrível, me transformou em motivo de chacota no set", conta.

Além disso, diz ele, a produção marcou gravações que duraram muito mais que o combinado e mudou a programação sem avisá-lo. "A primeira (gravação) depois do teste foi marcada para as 14h. Gravei até as 5h da madrugada. O tempo inteiro sofrendo assédio do diretor", diz Nobu.
Depois, diz ele, foi marcada uma nova sessão para o dia 7 de abril - o que obrigou o ator a viajar de Goiânia, onde estava para fazer outro trabalho, até Brasília. Só ao chegar ao set de filmagem, Nobu soube que a sessão tinha sido cancelada. A viagem perdida foi paga pelo próprio ator.

"Sei que posso sofrer retaliações por falar  porque o mercado publicitário de Brasília é muito pequeno  mas é um desrespeito sem tamanho", diz ele, que atua em comerciais desde 2012. "Me senti muito mal."

Peça é do irmão de Elsinho 

Questionado  o marqueteiro de Michel Temer, Elsinho Mouco, sobre o caso - ele disse que cuida apenas da comunicação digital do governo e que não teve envolvimento com a produção da peça publicitária. "Me parece que é discussão de um figurante com a agência de modelos... discutindo o valor da comissão sobre o cachê. Mais tarde vou ter a história real", escreveu Mouco, que não fez mais contato até a publicação desta reportagem.

A campanha foi produzida para o Governo Federal pela Calia Y2, empresa de publicidade de Gustavo Mouco - irmão de Elsinho.

Poucas horas depois da reportagem da BBC entrar em contato com Elsinho, Nobu foi procurado pela agência de modelos, com a promessa de que o pagamento seria feito.

Em outubro de 2017, Paulo revelou que os pagamentos do governo à Calia cresceram 82% depois que Temer assumiu a presidência. No primeiro ano do governo do emedebista, foram pagos R$ 102,1 milhões à empresa. Na época, a empresa afirmou que Mouco nunca teve funções na companhia nem participação nas licitações por ela disputadas.

A BBC Brasil procurou o Palácio do Planalto para comentar o caso, mas não teve resposta até o fechamento desta reportagem. A Calia Y2 também foi procurada, mas não havia respondido até o momento da publicação da reportagem.

news

Deixe seu Comentário

Leia Também

Geral
Do outro lado do balcão De ex-juiz Federal a ex-ministro da Justiça, agora Sergio Moro é o mais "jovem" advogado do Brasil.
Saúde
Uma de 7 infecções de Covid-19 relatadas ocorre em profissionais de saúde, diz OMS
Brasíl
Marco Aurélio suspende inquérito que apura suposta interferência na PF
Brasíl
829 mortos por Covid 19 e 36.330 novos casos de contaminados
STF
COVID NOS PRESÍDIOS Fux renova Recomendação 62 por 6 meses e restringe alcance
Brasil
Os seis fatores que tornam incêndios no Pantanal difíceis de serem controlados
Religião e Judiciário na Política
Empresário preso afirma ter feito pagamentos a Witzel quando governador afastado ainda era juiz federal
Brasil
Flordelis, pastora e deputada federal pelo PSD soltou até bomba, diz testemunha.
Pastor Anderson vítima da "família do mal"
Brasil
Governo vai manter o Bolsa Família, diz Bolsonaro
Saúde
MS ultrapassa 60 mil casos confirmados e tem 1.106 mortes pelo novo coronavírus