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Campo Grande

Irresponsabilidade de Marquinhos Trad coloca toda a população em risco de morte

08 abril 2020 - 17h30Por Dirceu Martins/jornalista

Abertura do comércio, agora também do Centro Comercial Popular Marcelo Barbosa Fonseca - Camelódromo, aumento insuficiente da frota de ônibus, falta de fiscalização, retorno dos Agentes Comunitários de Saúde e dos Agentes de Endemias sem equipamentos de proteção individual (EPI), falta de EPIs também para os profissionais de saúde. Campo Grande está pronta para uma disseminação do novo coronavírus em enorme escala, o que coloca toda a população em risco. Vale a pena, em ano eleitoral quando se precisa de verbas para a campanha, esse risco. E não venham dizer que as doações de campanha deixaram de existir, as oficiais sim, mas Caixa Dois nunca foi oficial, a não ser no entendimento de alguns ministros do STF. Quem responderá por hospitais superlotados? Quem responderá pelas vidas perdidas.

Com a reabertura do Camelódromo é pequeno pensar, como pequena é a atuação do prefeito Marquinhos Trad e grande a omissão de seu secretário de Saúde, que o rodízio de 140 boxes e o controle de entrada reduzam o risco aos consumidores e aos próprios comerciantes. Serão mãos tocando nos produtos e é de se supor que os comerciantes não sairão de suas posições a cada cliente atendido para higienizar os produtos. A entrada restrita a 30 pessoas não impedirá aglomeração na entrada, que está definida no portão 6 (Avenida Afonso Pena) e, para quem conhece os estreitos corredores entre as bancas, o que torna impossível garantir o distanciamento mínimo de 1,5 metros.  E, ainda mais grave, não haverá desinfecção antes da abertura e recebimento dos clientes.

Outro ponto discutível é o funcionamento de climatizadores para garantir a circulação do ar. Isso impede, beneficia oou potencializa a circulação do vírus? Camelódromo e Comércio regular abertos, com a pouca conscientização da população, com ônibus lotados, com idosos indo para as ruas e praças e lojas, por que não liberar geral?

Está comprovado que a população não está educada ou preparada para entender os riscos aos quais está exposta, então colocar banners educativos é “chover no molhado”, triagem de clientes por meio de aferição de temperatura corporal vai colocar na rua, circulando, aqueles que, mesmo constatado a possível contaminação sejam impedidos de entrar no local.

Não bastasse essa sandice que beira a insanidade, na última segunda-feira boa parte do comercio varejista, agências bancárias, setor de serviço e saúde privado (consultórios, clínicas), voltaram a funcionar. Na terça-feira (7), foi liberado o funcionamento das 53 feiras livres da cidade.

Com 48 casos confirmados e sete pacientes internados, sendo cinco na UTI (Unidade de Terapia Intensiva), o campo-grandense não se atinou e abandonou a quarentena ignorando os riscos do coronavírus. A maioria dos campo-grandenses foi às ruas sem colocar máscaras, recomendação feita pelo Ministério da Saúde.

Não falta informação, o que falta é a informação de forma correta. Enquanto a imprensa chega a abusar da paciência da população com tantas informações, durante todo o tempo, eles preferem acreditar nas “autoridades” que jogam mais do lado da economia do que ao lado da vida. O que ninguém percebe é que a população mais humilde está totalmente exposta, enquanto os influenciadores de políticos fracos e avarentos se deslocam em automóveis, se trancam em suas casas e apartamentos, conversam por meio de aplicativos de computadores e celulares.

A situação é grave. De acordo com o Ministério da Saúde, já são 553 mortes e 12.056 casos confirmados pela Covid-19. No mundo, a doença já matou mais de 73,7 mil pessoas e infectou 1,3 milhão.

Não bastasse os pronunciamentos do presidente Jair Bolsonaro contra a quarentena, que colocou o país em situação de desconfiança e o ridículo perante o mundo, Marquinhos Trad nos coloca na mesma posição em relação ao Brasil.  

Não adianta colocar a população de joelhos orando pela vida quando aquele, quando aqueles que têm o dever e poder de impedir essas mortes agem de forma irresponsável e genocida. Que os joelhos não se esfolem, pois em breve terão que orar pela alma desses irresponsáveis.

Fonte: Ideal News/Dirceu Martins

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